O Governo dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira novas diretrizes para as pessoas que tenham sido expostas ao Ébola, numa tentativa de unificar a resposta nacional perante medidas mais restritivas impostas por alguns estados.

Os Centros de Controlo e Prevenção da Doença elaboraram uma classificação de acordo com o risco de contrair o vírus, sendo que apenas aqueles com «alto risco» devem isolar-se nas suas casas.

Considera-se uma pessoa de «alto risco», por exemplo, um profissional de saúde que se picou com uma agulha ao assistir um doente de Ébola, ou qualquer pessoa que tenha estado em contacto com fluidos corporais de um infetado sem proteção adequada.

Segundo as novas diretrizes do Governo, a grande maioria dos casos - como os profissionais de saúde chegados de países afetados - fica numa categoria intermédia, tendo de passar por um controlo diário num centro médico local e dar conta da sua temperatura por chamada telefónica.

Se não apresentarem sintomas, estas pessoas não verão os seus movimentos limitados nem terão de ficar isoladas nas suas casas, como estabeleceram na semana passada os estados de Nova Iorque e Nova Jérsia.

Essas medidas unilaterais irritaram a Casa Branca, que tem tentado evitar o alarmismo e dar uma resposta nacional à crise do Ébola, nomeando um coordenador federal, Ron Klain.

Também as organizações humanitárias criticaram as restrições destes estados, considerando que criam um estigma e desincentivam os profissionais de saúde a viajar para a África ocidental, onde falta voluntários para enfrentar a epidemia.  

«Queremos que fique claro que, quaisquer que sejam as políticas postas em prática para proteger o público americano, não são um desincentivo para os médicos e enfermeiras que querem. voluntariamente. viajar para a África Ocidental para cuidar e tratar doentes com Ébola», afirmou um porta-voz da Casa Branca. 

Vírus vai chegar à China

Um dos cientistas que descobriu o vírus do Ébola acredita que a China está sob ameaça devido ao elevado número de trabalhadores chineses em África.

«[A situação geral] vai piorar durante algum tempo e depois esperemos que comece a melhorar quando as pessoas estiverem isoladas», disse Peter Piot, citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post. O cientista esteve na região administrativa especial chinesa para um simpósio durante dois dias.

Piot, que prevê que a epidemia dure ainda entre seis a 12 meses, lembrou que «em África há muitos chineses a trabalhar».