O fundador da revista Playboy, Hugh Hefner, morreu na quarta-feira à noite. Tinha 91 anos e faleceu na sua casa, a Mansão Playboy, em Los Angeles, nos Estados Unidos, informou a empresa.

De acordo com um comunicado divulgado pela revista, Hefner morreu de causas naturais, rodeado pela família.

Hefner nasceu em Chicago, em 1926. Fundou a Playboy em 1953, quando tinha 27 anos. Fê-lo depois de os executivos da revista Esquire lhe terem negado um aumento de cinco dólares no salário.

Quebrou tabus, mas era ao mesmo tempo conservador

Casou-se duas vezes, teve uma noiva que o abandonou, e centenas de namoradas. Considerava-se um romântico e assumiu que nunca encontrou a sua "alma gémea". 

A menina dos seus olhos era a Playboy. Construiu um império à volta do sexo. Aos 85 anos, numa entrevista com Howard Stern, continuava a dizer que o sexo é importante, mas nessa altura também assumia que já não tinha o mesmo desejo que em tempos.

Hefner teve um papel importante na História, ao quebrar tabus sexuais. Ao mesmo tempo, era bastante conservador nos seus hábitos. Um homem de enorme complexidade, sempre enigmático. Chegou até a escrever as suas memórias, mas desistiu. Deixou que outro escrevesse por ele, Steven Watts, com a obra Mr. Playboy: Hugh Hefner e o Sonho Americano .

Contudo, claro que deixou obra: a revista, um império, a sua mansão Playboy, um controverso programa de televisões. Ainda quis criar - e criou - um arquivo online para que os seguidores da revista e dos seus playmates pudessem rever os números publicados desde 1954. 

A digitalização da Playboy teve efeitos práticos a partir de 2009 e permite também conhecer a parte da revista mais importante dedicada ao jornalismo e à escritura, assim como a publicação de artigos e de reportagens de assuntos mais sérios como a guerra do Vietname e as obras de Vladimir Nabokob e Jean-Paul Satre. 

Vale a pena recordar as palavras de Hugh Hefner nessa altura:

A Playboy tem uma história incrivelmente rica e leitores intensamente fiéis (...). Trata-se de uma oportunidade perfeita de lhes dar algo que sempre desejei e também uma forma formidável que permite às novas gerações explorar facilmente a revista»".

Dizia, também:  "O fim comercial dos negócios nunca me interessou".

A revista tornou-se incontornável desde o seu início. O editor de conteúdos da publicação, Cory Jones, juntamente com o fundador, acabaram com as fotos de nus integrais na Playboy em outubro de 2015, mas, para o atual diretor criativo da Playboy, um dos filhos de Hefner, Cooper Hefner, a decisão foi “um erro”. Os nus voltaram em fevereiro deste ano.