A vaga de frio proveniente da Sibéria matou quase 50 pessoas na Europa até esta quarta-feira, muitas delas sem-abrigo, e continua a causar estragos e a semear o caos nos transportes.

Apontada como "A Besta do Oriente" pelos meios de comunicação britânicos, "O Urso Siberiano" pelos media na Holanda ou o "Canhão de Neve" na Suécia, a onda de frio fez pelo menos 47 mortos desde sexta-feira.

De acordo com um balanço feito com informação da agência AFP, registaram-se 18 mortos na Polónia, seis na República Checa, cinco na Lituânia, quatro em França e na Eslováquia, dois em Itália e na Roménia, na Sérvia e na Eslovénia, um na Holanda e pelo menos um em Espanha, no País Basco. Na Estónia, o frio matou sete pessoas em fevereiro.

Na noite de terça para quarta-feira, o mercúrio caiu para -21°C nas regiões montanhosas da Croácia e da Bósnia, -20°C em Lübeck, no norte da Alemanha, -19°C no sul da Polónia, -18°C perto de Liège na Bélgica e -10°C nas proximidades de Londres.

Na Suíça, um pico de -36°C foi registado em Glattalp, a 1.850 metros acima do nível do mar, um local desabitado e onde acontecem habitualmente este tipo de extremos.

As temperaturas muito baixas, que deverão durar até quinta-feira, afetaram principalmente os sem-abrigo. Três deles morreram em França e na República Checa desde sexta-feira e dois em Itália, incluindo um que se recusou a deixar o lugar onde dormia, em Milão.

Na Alemanha, a Associação dos Sem-Abrigo pediu aos centros de acolhimento para que permaneçam abertos o dia todo e não apenas de noite. Em França, o ministro da Coesão Territorial Jacques Mézard anunciou que havia 150 mil espaços para abrigo de emergência, "um número nunca alcançado".

Em toda a Europa, a neve e o gelo causaram estragos nas estradas, muitos voos foram cancelados ou atrasados nos aeroportos britânicos e, na Irlanda, a companhia aérea Ryanair cancelou todos os voos que partem e chegam de Dublin.

Os aeroportos de Edimburgo e Glasgow, os mais importantes da Escócia, estiveram hoje fechados e os comboios e autocarros interromperam os serviços devido à intensa tempestade de neve que atinge a região.

A quantidade de neve acumulada e a previsão de que a tempestade deverá intensificar-se durante a noite e até a manhã de quinta-feira levaram empresas como a British Airways, FlyBe e a easyJet a cancelarem voos nos maiores aeroportos da região: Edimburgo, Glasgow e Aberdeen.

Também muitas escolas foram fechadas no Reino Unido, na Irlanda, no norte da Espanha e em Portugal, na Bósnia e no Kosovo, bem como na Albânia, onde muitas aldeias e pequenas cidades ficaram isoladas, devido à neve e a estradas cortadas.

300 incidentes no Dia da Andaluzia

A tempestade de vento e chuva que atingiu a Andaluzia, quando a região festeja o seu dia, provocou quase 300 incidentes, entre deslizamentos de terras, anomalias em serviços básicos, acidentes de trânsito e inundações na via pública.

A maioria dos casos concentrou-se nas províncias de Sevilha (161), Huelva (36), Cádiz (25) e Málaga (23), conforme relatado pelo 112, avança a agência EFE.

As províncias mais ocidentais foram as mais afetadas pelo mau tempo.

Em Huelva, registaram-se 36 casos devido a rajadas de vento forte e inundações de ruas, mas a situação mais grave ocorreu em Hinojos, onde um trabalhador perdeu a vida devido à queda de um pinheiro, quando o homem removia árvores em risco de tombarem.

O Dia da Andaluzia é comemorado a 28 de fevereiro, feriado que assinala a autonomia daquela região.