Morreu o fundador da Ikea. Feodor Ingvar Kamprad faleceu aos 91 anos e notícia da sua morte foi dada pela cadeia sueca de mobiliário.

Em comunicado, a empresa refere-se ao seu dono como "um dos maiores empresários do século XX".

Kamprad morreu em sua casa, em Småland, uma província histórica da Suécia. Enfrentou na sua vida polémicas sobre as suas ligações passadas ao nazismo, admitindo ter sido o "maior erro" da sua vida. 

Detentor de uma das maiores fortunas a nível mundial, revelou num documentário divulgado em 2016 que fazia compras no "mercado das pulgas", equivalente à feira da ladra portuguesa, para poupar dinheiro. Nesse ano, a sua fortuna estava estimada em 610 mil milhões de coroas, mais de 65,5 mil milhões de euros.

Como construiu o seu império

Kamprad nasceu a 30 de março de 1926 na fazenda da sua família, em Elmtaryd, no sul da Suécia, e cresceu na aldeia de Agunnaryd. Fundou a sua primeira empresa aos 17 anos, para gerir um contrato para o fornecimento de lápis. Mas fez o seu primeiro negócio aos cinco anos, comprando cem caixas de fósforos a uma tia de Estocolmo e revendendo-as com uma pequena margem de lucro. T

Cinco anos mais tarde, em 1948, fundou a IKEA, um acrónimo que representa Ingvar Kamprad Elmtaryd Agunnaryd, lá está, estes dois últimos os nomes das cidades onde tem raízes. As próprias cores do logotipo são as cores da bandeira sueca.

Tudo começou com pedidos por correspondência e entregas de leite. Os móveis entraram para o catálogo no final desses anos 40 do século passado, quando ele comprou uma fazenda semi-abandonada para fazer lá a produção. 

A estratégia de sucesso

A filosofia foi, desde sempre, a mesma: reduzir os custos ao máximo, não desperdiçar nada e vender a preços baixos. 

Resultou. Em 1953, comprou uma pequena loja em Älmhult. Foi a primeira loja da IKEA, onde pôde mostrar finalmente, frente a frente, aos clientes os produtos que vendia por correio, por catálogo.

Fez fortuna com essa filosofia e por se ter lembrado que os móveis era muito mais baratos de produzir e transportar se fossem vendidos em pacotes compactos, desmontados e fossem depois montados em casa. 

Criou inimigos na indústria sueca, tendo sido alvo de um boicote nos anos 50. Como resposta, procurou fornecedores polacos e alemães, que pouco tempo antes exploraram prisioneiros políticos. A sua ligação com a Polónia, país da vodka, fê-lo ter problemas com o alcoolismo.

Jogar por antecipação

Entrando na idade da velhice, a partir dos anos oitenta, Kamprad montou uma rede corporativa complexa para evitar disputas de heranças entre os seus três filhos e também para evitar que a empresa fosse comprada por outra pessoa. 

O filho mais velho, Peter, é o presidente da Ikano, a empresa que administra o capital familiar e possui várias lojas Ika. O segundo filho, Jonas, está no conselho da Ingka, que é ela próprio o proprietário do grupo Ikea (a empresa que trata mais diretamente do negócio de móveis).

Ainda tem a Inter Ikea, propriedade de uma fundação baseada no Liechtenstein, dona da marca e que tem a principal participação do grupo: todas as lojas Ikea pagam uma pequena percentagem das receitas, como direitos de exploração da marca. 

Kamprad nunca saiu de cena. Manteve sempre posições importantes nas várias empresas e controlava tudo com rigor. Saiu de cena agora, porque o coração não resisiu mais.