O copiloto Andreas Lubitz escondeu da entidade patronal que devia estar de baixa médica. A  revelação foi feita pelos procuradores alemães, esta sexta-feira, depois das buscas realizadas às propriedades ligadas ao copiloto. As autoridades encontraram o documento médico rasgado.

«Há documentos médicos que indicam que ele não estava apto para trabalhar, entre outras coisas. Os documentos são recentes, mesmo do dia do crime, apoiando a conclusão preliminar de que sofria de uma doença e que a escondeu da empresa e dos seus colegas profissionais.»

Os procuradores não revelaram, no entanto, a doença em causa, apenas referindo a necessidade de um tratamento médico adequado.

«Os documentos confiscados indicam a existência de uma doença e a necessidade do respetivo tratamento.»


Entretanto um hospital alemão confirmou que o copiloto esteve na unidade hospitalar em fevereiro e março deste ano, sendo que a última visita foi registada a 10 de março. Já a clínica universitária de Dusseldorf afirmou que Lubitz deu entrada nos serviços para fazer uma avaliação e diagnóstico, mas que não chegou a efetuar qualquer tipo de tratamento, recusando adiantar detalhes sobre o assunto, alegando o direito ao sigilo dos utentes. 

Ainda em relação às buscas efetuadas à residência do copiloto, em Dusseldorf, e à habitação dos pais, em Mantabur, os procuradores afirmaram que não foram encontrados indícios de uma motivação religiosa ou política para as suas ações nem nenhuma nota de suicídio.

Estas declarações surgem depois de a imprensa alemã ter divulgado informações que sugerem a instabilidade mental do copiloto.

O jornal «Bild» teve acesso a documentos do departamento médico da Lufthansa que indicam que o copiloto estava a receber tratamento psiquiátrico na altura da tragédia. Uma informação confirmada por um dos primos, que terá afirmado que o alemão sofria de «uma depressão profunda».  

O mesmo jornal aponta uma das possíveis causas para o estado psicológico do copiloto: uma crise na relação amorosa com a noiva, com quem estava há sete anos.

Na quinta-feira, um jornalista da revista «Der Spiegel» divulgou que o copiloto sofria de depressão e que um esgotamento nervoso, em 2009, terá estado na origem da interrupção da formação na escola da Lufhtansa. A interrupção foi confirmada pelo diretor da companhia aérea, mas este não justificou o motivo para a pausa.  

A análise à gravação do som do cockpit do Airbus A320, que se despenhou nos Alpes franceses com 150 pessoas a bordo, revelou que Andreas Lubitz teve intenção de destruir o avião. O copiloto estava sozinho no cockpit quando se deu a queda do aparelho, depois de ter impedido a entrada do piloto e de ter acionado os mecanismos para uma descida abrupta em direção à morte.

Entre as dezenas de vítimas está um grupo de 16 alunos e dois professores alemães da escola Joseph-König, em Haltern am See, perto de Düsseldorf. A tragédia abalou a escola, com alunos, pais e professores em estado de choque. À porta do liceu foi colocada uma faixa que apela ao fim das entrevistas com os alunos.

«Párem de dar dinheiros às crianças para as entrevistarem», lê-se na faixa.