O aumento da colaboração entre NATO e União Europeia e a situação do Leste europeu, incluindo a crise ucraniana e relações com a Rússia, marcarão a 26ª cimeira da NATO, que começa sexta-feira em Varsóvia, na Polónia.

A cerimónia de assinatura do documento, que inclui, por exemplo, cooperação na segurança marítima e uma possível operação no mar Mediterrâneo, decorrerá ainda antes do início formal do Conselho do Atlântico Norte, que sentará à mesma mesa chefes de Estado e do Governo dos 28 membros da organização.

Portugal vai defender que atenção da NATO, além do flanco Leste, se dirija para Sul e para as operações de segurança marítima, uma prioridade argumentada igualmente por Espanha, face à localização geográfica e a ameaças como terrorismo, migração e tráfico.

De acordo com um dos responsáveis do "think tank" Conselho Atlântico e especialista em segurança internacional Alex Ward, “Espanha e Portugal podem ser centrais na discussão sobre o repensar como a NATO pode e deve alterar a sua paisagem” nomeadamente por serem “os primeiros guardas contra alguns dos desafios mais complexos do Sul”.

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, tinha já informado que, na fase preparatória da cimeira, Portugal, Espanha, França e Itália dirigiram uma carta ao secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, para defender "um equilíbrio" entre as duas abordagens e da manutenção do diálogo e de uma solução política para a questão da Rússia, independentemente de uma "posição de firmeza" que venha a ser adotada.

A Rússia é acusada de fomentar o conflito armado no leste da Ucrânia, apoiando e lutando ao lado dos separatistas, e tem respondido com exercícios militares e reforço de tropas na fronteira ao aumento de meios da NATO no leste da Europa.

Entre os maiores desafios nestes dois dias estará o fortalecimento, financiamento e modernização da NATO, assim como a avaliação das implicações a longo prazo da crise da Ucrânia e nas relações NATO/Rússia.

Já a cimeira de 2014, em Gales, tinha ficado marcada pela questão ucraniana, que incluiu a anexação russa da Crimeia (em Março de 2014), na instabilidade dos vizinhos do Sul e no aumento das ameaças transnacionais. Inicialmente e antes do agravar destas crises, o foco previsto era o Afeganistão.

Nesta reunião bianual será tratada a presença multinacional em áreas do Leste, o alargamento da estrutura, com países como o Montenegro a ganharem o ‘passaporte’, e questões como o papel das armas nucleares, sistemas de defesa antimíssil e a cibersegurança.

A delegação portuguesa à cimeira de Varsóvia, que termina sábado, é liderada pelo primeiro-ministro, António Costa, que será acompanhado pelos ministros da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, e dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva.