Os independentistas catalães saudaram esta quarta-feira o plano apresentado na terça-feira pelo presidente do governo regional da Catalunha, Artur Mas, que afirmou estar disponível para convocar eleições antecipadas se estas estiverem unicamente centradas na independência daquela região.

«É um passo em frente que vai na direção que sempre reivindicamos», afirmou o líder da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC, esquerda independentista), Oriol Junqueras, no parlamento catalão, em Barcelona.

Em declarações aos jornalistas em Madrid, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, também reagiu, qualificando o plano de Artur Mas como «um passo no vazio».

«Artur Mas deu um passo no vazio. Tornou-se no presidente de uma parte dos catalães, que é uma minoria, e abandonou a grande maioria», disse Rajoy.


O apoio de Oriol Junqueras é indispensável para os projetos de Artur Mas, no poder desde 2011 na Catalunha e que deseja organizar eleições regionais antecipadas em 2015 para voltar a debater a independência daquela região.

Estas eleições seriam um primeiro passo para um plano que pretende avançar, em 2016, com uma declaração de independência da Catalunha, uma região com 7,5 milhões de pessoas.

Para concretizar este plano, Artur Mas quer apresentar aos catalães uma lista única de candidatos composta por personalidades políticas e da sociedade civil favoráveis à independência.

Em caso de vitória, esta plataforma única daria início a um mandato de 18 meses que teria como missão, entre outros aspetos, a preparação das instituições para a independência e o desenvolvimento de uma futura Constituição de um Estado catalão.

No entanto, sem o apoio da esquerda independentista, o partido de Artur Mas (Convergência e União, conservadores) não tem hipótese de conseguir uma maioria absoluta.

Este plano é apresentado após a consulta popular sobre a independência da Catalunha realizada no passado dia 09 de novembro.

Nesse dia, 2,3 milhões de pessoas participaram na consulta cidadã não vinculativa, depois de o Tribunal Constitucional ter proibido, a pedido do Governo de Madrid, a realização de um referendo.

Segundo dados finais, 80,76% dos votantes apoiaram que a Catalunha seja um Estado e que seja um Estado independente.