O número de mortos nos incêndios que afetaram a região grega de Ática, perto de Atenas, subiu para 85, de acordo com o mais recente balanço feito pelo ministério da Saúde, citado pela ANSA.

O número de feridos mantém-se em 187, incluindo 22 crianças, estando hospitalizados 70, dos quais 11 em estado crítico.

As autoridades temem que os números continuem a subir, uma vez que ainda há dezenas de desaparecidos que mais de 300 bombeiros e voluntários tentam encontrar, numa verdadeira corrida contra o tempo. 

"A missão hoje é tentar encontrar pessoas desaparecidas em terra e perto do mar", disse à agência Lusa Ramos Christos, coordenador de uma equipa da Proteção Civil que viajou de Thessaloniki, 450 quilómetros a norte.

O especialista em situações de crise afirmou ser "importante encontrar os desaparecidos para as famílias que estão ansiosas ficarem mais aliviadas".

As causas do fogo que deixou um rasto de destruição por Ática ainda não foi apurada, apesar de haver já várias teorias, entre elas a de fogo posto. Teoria que ganha força depois dos bombeiros terem descoberto que três focos de incêndio começaram de forma deliberada, ao mesmo tempo, em três localizações diferentes.

Certo é que os investigadores continuam no terreno a tentar descobrir o que poderá ter causado os incêndios.

Por sua vez, as famílias tentam agora encontrar os familiares que se encontram desaparecidos e recuperar o que sobrou nos destroços. Na morgue, em Atenas, dezenas de pessoas tentam identificar os corpos recuperados pelas equipas de socorro.

"Vai ser muito doloroso, temos de identificar as pessoas... os funerais, mais dor", afirmou Evangelos Bournous, presidente de Rafina-Pikermi, uma cidade perto de Mati, acrescentando que teme "que o número de mortos aumente". 

As autoridades admitem encontrar-se entre os mortos algumas das pessoas dadas como desaparecidas, tendo sido feito um apelo aos familiares para se deslocar ao Departamento de Ciências Forenses da Universidade de Atenas.

Ali, terão de fornecer amostras de ADN para comparar com o dos corpos recuperados, tendo pelo menos 10 destes já sido identificados.

As buscas estão a ser feitas em terrenos abertos, carros, pátios de casas e casas que foram destruídas pelo fogo em parte ou na íntegra, mas não nas casas que têm portas e janelas fechadas.

Grande parte das habitações de Mati ou Voutzas são usadas para lazer nas férias ou fim de semana, pelo que estariam desocupadas na altura.

Na povoação de Mati, onde o incêndio de segunda-feira teve mais impacto, é também visível a presença de polícia, elementos da Cruz Vermelha, militares e de empregados municipais, encarregados das operações de limpeza das ruas.

Os bombeiros gregos deram conta que ainda estão ativos 22 incêndios florestais em todo o país, tendo a situação melhorado na região montanhosa de Geraneia, a oeste de Atenas, onde continuam 228 bombeiros com 114 carros de combate.

Durante a hora do almoço, os dois aviões de combate a incêndio da Espanha mobilizados através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil são esperados para dar assistência aos bombeiros gregos, enquanto Portugal disponibilizou 50 elementos da Força Especial de Bombeiros (FEB).