A compra de drogas através da internet, em especial da ‘darknet’, está a aumentar, negócio que permite aos consumidores evitar o contacto direto com os traficantes e dificultar a investigação pelas autoridades, segundo um relatório da ONU.

O relatório anual das drogas das Nações Unidas, divulgado a propósito do dia Internacional de Luta contra o Abuso e o Tráfico de Drogas, que hoje se assinala, adianta que não se tem acesso ao ‘darknet’ (internet das sombras) através dos meios de pesquisa da internet tradicionais.

Idêntico alerta também já tinha sido feito pelas autoridades policiais portuguesas no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2015 no capítulo dedicado ao crime de tráfico de estupefacientes.

O documento chama a atenção para a crescente utilização da internet, em especial da ‘darknet’, por pessoas isoladas e por grupo criminosos na comercialização dos mais diversos tipos de drogas ilícitas e de novas substâncias psicoativas.

Os consumidores recebem, depois, essas substâncias “confortavelmente, por via postal, nos seus domicílios”, adianta o RASI.

A ONU considera que a tendência da compra de droga através da ‘darknet’ pode crescer ainda mais e atrair novos compradores, uma vez que o acesso aos estupefacientes é facilitado num ambiente que, apesar de ilegal, permite aos consumidores evitar o contato direto com os criminosos e dificultar a investigação por parte das autoridades.

O relatório refere também que os compradores e vendedores têm acesso a estas redes através do ‘onion router’, que permite o acesso invisível à internet, para assegurar que as suas identidades não são reveladas.

Os produtos são pagos através de ‘bitcoins’ (moeda virtual) ou de forma encriptada, sendo muitas vezes entregues através dos serviços postais, indica ainda o relatório.