O primeiro-ministro irlandês Leo Varadkar considerou já que o referendo que deverá banir a proibição da interrupção da gravidez no país é o culminar de uma "revolução calma".

O povo falou. O resultado parece ser retumbante... a favor de revogar a oitava emenda constitucional que proíbe o aborto. O que vemos é o culminar de uma calma revolução que tem ocorrido na Irlanda nas últimas dus décadas", afirmou Varadkar em Dublin.

Entretanto, um dos principais grupos contra a legalização do aborto na Irlanda afirmou este sábado que o resultado do referendo é “uma tragédia de proporções históricas”, admitindo praticamente a derrota na votação histórica.

O porta-voz do grupo "Save the 8th", John McGuirk, que apoiou a campanha contra a legalização do aborto, referindo-se à 8.ª Emenda da Constituição que proíbe o aborto, disse hoje à televisão irlandesa que muitos irlandeses “não vão reconhecer o país” quando acordarem.

As projeções avançadas durante a noite atribuíam uma vitória esmagadora aos apoiantes da legalização do aborto no país.

McGuirk referiu ainda que agora “será relativamente fácil” ao Governo irlandês poder aprovar no parlamento legislação mais liberal sobre o aborto.

Não há nenhuma perspetiva de a legislação não ser aprovada”, lamentou o porta-voz.

O Governo irlandês defende que as mulheres sejam autorizadas a interromper a gravidez nas primeiras 12 semanas, com assistência médica certificada.

Os profissionais de saúde terão o dever de falar e debater a opção pelo aborto com a grávida, que terá de respeitar um período de três dias de reflexão.

Terminado este prazo, se mantiver a sua vontade, poder-se-á realizar a interrupção da gravidez.

A Irlanda votou em massa, no sábado, para decidir se mudava ou mantinha uma das leis mais restritivas da Europa em matéria de aborto.

E, segundo as primeiras sondagens, logo após o fecho das urnas, os eleitores votaram maioritariamente pela mudança.

A primeira sondagem da Ipsos/MRBI para o jornal Irish Times, divulgada minutos depois de as urnas terem encerrado no sábado, deu a vitória ao "sim" com 68%, contra 32% do "Não".

Estes números basearam-se em 4.000 inquéritos realizados à boca das urnas em 160 locais de voto, com uma margem de erro de cerca de 1,5%.