A dois dias de se celebrarem 25 anos da queda do Muro de Berlim, a efeméride levou a agência Lusa a pesquisar, na Internet, o que está à venda relacionado com o momento histórico e o que ele representa. São milhares de artigos sobre a ex-União Soviética (URSS), e outros relacionados com o Muro de Berlim, disponíveis em páginas de leilões ou anúncios grátis, portuguesas e estrangeiras. E não só: também em feiras no Alentejo. Para os interessados em terem em casa um pouco da História europeia, há blocos de pedras do muro para comprar.

No site de leilões Ebay, por exemplo, uma busca por Muro de Berlim resulta em mais de 3.500 resultados. Há, à venda, pedaços de pedra pintada, uns maiores, outros mais pequenos, com ou sem certificado de autenticidade e preços que variam de alguns euros até um bloco em tons laranja a 254 euros pedidos por um vendedor alemão.

No Ebay é ainda possível comprar todo o tipo de recordações relacionadas com os países da antiga «Cortina de Ferro» ou do Bloco de Leste, com destaque para a ex-República Democrática Alemã (RDA): por exemplo, pins da Stasi, a antiga policia secreta da RDA, uma placa em mau estado de uma antiga fronteira com a Alemanha de leste - 218,75 euros pedidos por um vendedor canadiano - ou, com um preço base de 15 euros e cinco licitações, num leilão que termina domingo promovido por um vendedor britânico, um salvo conduto entre o este e o oeste, onde se lê a inscrição «devolver depois de usar».

Já o site português OLX identifica mais de 300 artigos diversos através da pesquisa com a palavra URSS. Desses, algumas dezenas são disponibilizadas por um vendedor de Reguengos de Monsaraz, na sua maioria relógios de bolso e máquinas fotográficas. 

O vendedor, Sergei, é ucraniano, mas está radicado no Alentejo há vários anos. Diz à Lusa que chegou a ter três lojas de antiguidades e velharias na Ucrânia que fechou, tendo trazido o espólio para Portugal. Atualmente, para além da Internet, vende os artigos da ex-URSS em feiras de velharias naquela região, desde Estremoz ao outro lado da fronteira em Badajoz (Espanha), mas a crise tem afetado o negócio. «Há três, quatro anos, vendia 10 máquinas [fotográficas] por mês. Agora, vendo duas ou três, as pessoas não têm dinheiro».

Do lote, constam relógios da marca Molnia - companhia russa fundada em 1947, que tinha como principal cliente o departamento de defesa da ex-URSS -, alguns dos quais anunciados como modelos «extremamente raros» e com preços que variam entre os 60 e 80 euros. Outros relógios, estes de pulso, entre os 30 e 40 euros, também oriundos da ex-URSS, apresentam características como o calendário no alfabeto cirílico, com carateres russos.

Já nas máquinas fotográficas, Sergei publicita uma Lomo Lyubitel, produzida pela fábrica Gomz, fundada em 1932 perto de Leninegrado (atual São Petersburgo), à venda por 70 euros, ou, entre várias outras , uma Photosniper «em excelentes condições», um modelo «histórico e raro» da década de 1970 que custa 250 euros.

Há, ainda, dezenas de moedas, estatuetas, literatura diversa - um livro de 1957, intitulado «URSS - Depoimento de Um Socialista Francês», traduzido por José Saramago, uma bandeira reproduzindo Lenine (primeiro líder da URSS e símbolo da revolução russa de 1917) e, por sete euros, um postal com pedra do Muro de Berlim, comprado, de acordo com o vendedor, na capital alemã em 1993, quatro anos depois da queda do Muro.