Um homem de 40 anos, professor, casado e sem antecedentes de crimes sexuais, tornou-se obcecado por sexo e pornografia infantil, chegando mesmo a tentar abusar da enteada. O caso remonta a 2000 e cientistas descobriram que a inesperada mudança de comportamento está relacionada com um tumor cerebral.

De acordo com o The Independent, que recuperou a história, apesar de o homem ser consumidor de pornografia desde a adolescência, este nunca se tinha sentido atraído por crianças, tendo até trabalhado em estabelecimentos educacionais antes de se tornar professor em 1998.

Mas em 2000, tudo mudou. O homem começou a frequentar bordeis, começou uma coleção de revistas pornográficas e de sites de pedofilia. Pouco depois, começou a abordar sexualmente a enteada, que acabou por fazer queixa à mãe.
A mulher, segunda esposa do suspeito, descobriu o segredo do marido e colocou-o fora de casa.

Expulso de programa de reabilitação

Depois de ser expulso de casa, o homem foi diagnosticado como pedófilo e medicado com Medroxyprogesterone, um medicamento usado para regular a menstruação, mas que também é prescrito a pacientes com distúrbios sexuais.

Mas isso não ajudou o professor, que acabou por ser expulso do programa de reabilitação - depois de abordar os funcionários e outros clientes com propostas sexuais - e condenado à prisão.

Na noite antes de ser detido, o homem deu entrada nas emergências do departamento da Universidade de Virgínia, queixando-se de fortes dores de cabeça e de ter perdido o equilíbrio. Depois de ser admitido, o professor confessou ainda que tinha tido pensamentos suicidas e que temeu violar a sua senhoria.

Durante os testes no hospital, o professor pediu, por diversas vezes, favores sexuais a membros femininos da equipa e acabou por perder o controlo da bexiga sem se aperceber. Os médicos detetaram ainda que o seu andar tinha mudado, que ele contraia a cabeça quando caminhava e que tinha perdido a capacidade de escrever.

Ao pedirem o seu historial clinico, os médicos descobriram que o homem tinha caído em 1984 e ficado inconsciente durante dois minutos. Após novos exames, foi descoberto um tumor no cérebro que podia, ou não, estar relacionado com essa queda.

Dias depois, o tumor foi removido e a vida do homem voltou ao normal.

O primeiro caso de pedofilia causado por um tumor

Depois da operação, o homem deu entrada no programa de viciados em sexo anónimos, que concluiu ao fim de sete meses e lhe permitiu regressar a casa e à sua vida com a mulher e a enteada.

Mas, pouco tempo depois do regresso à normalidade, as dores de cabeça voltaram, assim como a necessidade de colecionar pornografia. Os sinais estavam à vista, o tumor tinha voltado. 

O caso foi investigado por cientistas que descobriram que o tumor interferiu no córtex orbito frontal – que ajuda a regular o comportamento social – e fez com que o seu interesse por pornografia aumentasse e que “manifestasse um desvio sexual e pedofilia”.

Segundo os médicos, este é o primeiro caso de pedofilia causado por um tumor. Tumor esse que fez com que o homem entrasse numa situação delicada onde perdeu o controlo pelos seus impulsos sexuais, apesar do seu conhecimento sobre o que é correto ou errado ter sido preservado. No entanto, o homem apenas conseguia focar-se numa recompensa sexual a curto prazo, apesar de estar consciente das consequências a longo prazo.