Os fogos que lavram na Grécia causaram já 74 mortos e 187 feridos, alguns em estado crítico, de acordo com as autoridades gregas.

O mais recente balanço foi feito esta tarde pela porta-voz dos bombeiros, Stavroula Maliri, que informou que são já 74 os mortos confirmados e dos 187 feridos 23 são crianças.

Este número ainda não é definitivo, já que cerca de uma centena de bombeiros continuam à procura de eventuais vítimas do incêndio, que aconteceu numa zona balnear da costa este da Ática invadida pelas chamas na segunda-feira à tarde.

Há 11 feridos, todos adultos, em estado crítico e teme-se que o número de mortes seja ainda maior, uma vez que os serviços de emergência continuam a receber telefonemas a alertar para o desaparecimento de pessoas. 

Segundo o Governo português, não há até ao momento registo de portugueses entre as vítimas ou desaparecidos.

De acordo com a porta-voz dos bombeiros, duas das vítimas são polacas, uma mulher e a filha que estava consigo. Nota também para a vítima mais nova, uma bebé de seis meses que morreu por inalação de fumos.

Todas as vítimas foram encontradas entre o porto de Rafina, a cerca de 30 quilómetros de Atenas, e Nea Makri, cerca de dez quilómetros mais a norte.

Com esta atualização no número de mortos, o registo já é pior que o dos incêndios de 2007, em que mais de 3.000 fogos fizeram 70 mortos na região de Peloponnese.

 

 

 

As vítimas encontravam-se em casa ou nos seus carros. Outras pessoas tentaram fugir do fogo atirando-se ao mar, mas acabaram por morrer afogadas.

Um porta-voz da Cruz Vermelha disse à rede de televisão pública ERT que, depois de terem sido encontrados 24 corpos, os bombeiros descobriram nesta terça-feira um outro grupo de 26 pessoas, já sem vida, num campo localizado na pequena cidade de Mati. Os corpos foram encontrados abraçados.

Depois de o Governo grego ter confirmado a morte de 20 pessoas, a guarda costeira recuperou na madrugada quatro corpos no mar, a uma curta distância dos incêndios.

Cerca de 700 pessoas foram resgatadas do mar e outras encontram-se, ainda, retidas em praias.

De acordo com os bombeiros, ainda existem três incêndios em curso na região de Ática, mas também grandes frentes noutras regiões do país, particularmente na área de Corinto, no Peloponeso, bem como na ilha de Creta.

As autoridades suspeitam de fogo posto, uma vez que 15 incêndios começaram ao mesmo tempo em três frentes de Atenas.

As operações de combate aos incêndios prosseguiram durante a noite, mas foram prejudicadas por fortes ventos.

Depois de as autoridades terem declarado o estado de emergência e solicitado ajuda internacional, o porta-voz do Governo, Dimitris Tzanakopoulos, anunciou que os aviões de combate aos incêndios chegarão hoje de Espanha, bem como voluntários do Chipre.

Segundo o autarca de Rafina, Evánguelos Burnús, pelo menos 500 casas e 200 veículos foram danificados em maior ou menor grau pelas chamas.

Burnus indicou, em comunicado enviado à televisão ERT, que continua a ser realizada a operação de resgate por mar realizada na segunda-feira e que os navios da Guarda Costeira estão a transportar muitos moradores de Rafina para outras áreas seguras.

 

 

As autoridades gregas já declararam o estado de emergência e solicitaram ajuda internacional.

Um vídeo divulgado esta terça-feira pelos militares gregos mostra a região de Ática completamente devastada pelos fogos que lavram desde a tarde de segunda-feira.

Portugal envia 50 bombeiros da Força Especial

Portugal vai enviar 50 elementos da Força Especial de Bombeiros (FEB) para ajudar a combater os incêndios na Grécia, anunciou hoje o ministro da Administração Interna.

Eduardo Cabrita adiantou que estes 50 elementos da FEB vão partir para a Grécia entre hoje e quarta-feira.

Portugal vai disponibilizar apoio terrestre, tal como a Grécia solicitou ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil.

Tsipras declara três dias de luto nacional

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, que antecipou o seu regresso à Grécia a partir de Bósnia-Herzegovina, declarou três dias de luto nacional.

Não há palavras para descrever os nossos sentimentos nesta altura. O país vive uma tragédia incaculável. Perderam-se dezenas de vidas humanas e isto é insuportável para todos. Sobretudo para as famílias que perderam os seus entes queridos. Mas também para todos nós sobre quem recaem as responsabilidades. Para todos aqueles que entendem que não há bem mais precioso que a vida humana", disse Tsipras. 

Bruxelas garante toda a ajuda à Grécia

O presidente da Comissão Europeia garantiu hoje, numa carta dirigida ao primeiro-ministro grego, que a União Europeia fará “todo o possível para prestar ajuda” no combate aos incêndios na Grécia, “hoje, amanhã e pelo tempo que for necessário”.

O executivo comunitário anunciou que Jean-Claude Juncker falou hoje de manhã com o presidente grego, Prokopis Pavlopoulos, e com o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, para “expressar sinceras condolências às famílias e àqueles que perderam entes queridos” nos fogos.

O presidente da Comissão escreveu também uma carta ao chefe de Governo, na qual garante que Bruxelas “não vai poupar esforços para ajudar a Grécia e o povo grego”.

“Durante este período difícil, estamos lado a lado com o povo e as autoridades da Grécia, e louvo os esforços incansáveis e corajosos das equipas de socorro. Será feito todo o possível para prestar apoio hoje, amanhã e pelo tempo que for necessário”, lê-se na carta de Juncker a Tsipras, divulgada em Bruxelas.

Juncker aponta ainda na missiva que pediu ao comissário da Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Christos Stylianides, para estar em contacto imediato com as autoridades de proteção civil da Grécia, acrescentando que o comissário viajará ainda hoje rumo a Atenas.

“Ele informou-me que já foi mobilizada assistência, incluindo aviões e bombeiros. Gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer aos Estados-membros relevantes pela sua contínua solidariedade a este respeito”, conclui.

Numa outra declaração divulgada igualmente em Bruxelas ao final da manhã de hoje, o comissário Stylianides confirma que viajará ainda hoje para Atenas para se encontrar com as autoridades de proteção civil da Grécia “e coordenar a assistência da UE que já está a caminho”.

“Falei com o primeiro-ministro Tsipras ontem (segunda-feira) à noite e estou em contacto permanente com ele para oferecer o apoio total da Comissão às autoridades e ao povo grego”, escreveu o comissário.

Stylianides agredeceu a Chipre, Espanha e Bulgária, “que já fizeram ofertas imediatas de assistência concreta através do novo Mecanismo de Proteção Civil da UE: aviões, bombeiros, médicos e veículos”.

“Juntos, estamos a trabalhar 24 horas por dia para ajudar os corajosos serviços de socorro que começaram a trabalhar de forma incansável para prestar ajuda àqueles que dela precisam”, disse.