Combatentes do grupo extremista autodesignado Estado Islâmico (EI) destruíram dois antigos mausoléus muçulmanos na cidade história síria de Palmira, disse esta terça-feira o diretor-geral de Antiguidades e Museus da Síria.

Maamoun Abdulkarim referiu que os ‘jihadistas’ fizeram explodir os túmulos de Mohammed bin Ali, um descendente de um primo do profeta Maomé, e de Nizar Abu Bahaaeddine, uma figura religiosa oriunda de Palmira.

As explosões ocorreram há três dias, segundo o responsável.

As ruínas históricas de Palmira estão na lista do Património da Humanidade da UNESCO. Fundada no segundo milénio antes de Cristo, apresenta influências gregas, romanas, persas, islâmicas e vestígios que remontam ao Neolítico. 

Por Palmira passaram semitas, helénicos e romanos que deixaram a sua marca neste oásis a meio caminho entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Eufrates, um ponto crucial na famosa Rota da Seda até à China.  

A UNESCO já tinha feito um apelo ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para intervir e evitar uma eventual destruição de património histórico, semelhante à que se verificou no Iraque

Os jihadistas tomaram controlo da cidade a 20 de maio e os especialistas afirmaram  temer pelo futuro de Palmira

A cidade tem também uma importância estratégica pois serve de ligação entre a província síria de Deir al Zur, um dos bastiões do Estado Islâmico, e o Iraque com os arredores de Damasco.  

“Palmira é o local de um legado mundial extraordinário no deserto, e a destruição de Palmira não será apenas um crime de guerra, mas também uma enorme perda para a Humanidade”,  declarou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, num vídeo divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).