Onze oficiais das forças armadas venezuelanas foram detidos e acusados de "traição à pátria", anunciou esta terça-feira a organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos Foro Penal.

Pelo menos 11 oficiais da Marinha e da Força Aérea (...) foram acusados de se amotinarem, de incitação, de crimes contra a disciplina militar e de traição à pátria", disse à agência noticiosa France-Presse a advogada da ONG, Maria Torres.

Os oficiais foram detidos entre quinta e sexta-feira e presentes a um tribunal militar.

A Foro Penal está a assegurar a defesa de dois dos acusados.

O tribunal não permitiu que nos designássemos como defensores, enquanto advogados, durante a audiência preliminar", indicou.

O diretor da Foro Penal, Alfredo Romero, garantiu ainda que nos últimos dias há a registar 25 detenções civis "por motivos políticos".

Segundo a ONG Justicia Venezolana, 92 militares foram detidos por conspiração, desde 2003, incluindo 34 já este ano.

Também na terça-feira, os Estados Unidos ameaçaram a Venezuela com represálias após o anúncio da expulsão dos dois mais altos representantes diplomáticos norte-americanos em Caracas pelo Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Maduro venceu as eleições presidenciais antecipadas de domingo com 5.823.728 votos (67,7%), de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela.

O dissidente do regime Henri Falcon obteve 1.820.552 votos, o pastor evangélico Javier Bertucci obteve 925.042 e o engenheiro Reinaldo Quijada totalizou 34.6714 votos, indicou.

De acordo com o CNE, foram registados 8.603.936 votos válidos, que correspondem a uma participação de 46% dos 20.527.571 eleitores inscritos.

Desde domingo, diversos países declararam que não reconhecer as eleições venezuelanas como livres e independentes.