O politólogo José Adelino Maltez considerou nesta segunda-feira que o partido Podemos penetrou no sistema político espanhol de forma «inequívoca» com os resultados nas eleições autonómicas da Andaluzia, que deram a vitória sem maioria absoluta ao PSOE no sábado.

«Há sinais em Espanha de que o sistema político vai passar para um regime de cinco partidos. O Podemos penetrou no sistema de forma inequívoca e o Ciudadanos, apesar de ser um pequeno partido, também já fez o jogo», disse à agência Lusa José Adelino Maltez.


Na opinião do professor universitário, em Espanha, em pouco mais de um ano, o «sistema está a admitir no seu seio realidades que emergiram de forma antissistémica».

«Não podemos esquecer que já tivemos em Espanha um partido comunista dentro do sistema, um CDS que desapareceu, tivemos a emergência de um novo partido de direita que não entrou no início da democracia e o PP, cuja configuração é posterior», salientou, acrescentando que em Espanha assiste-se à terceira experimentação de um sistema partidário em menos de 40 anos de democracia.

No entender do politólogo, o PSOE mantém a maioria quase absoluta e bastava juntar-se aos Ciudadanos para poder ter um Governo estável.

«O bipartidismo era há pouco tempo dominante em Espanha, agora há um jogo a cinco, sem contar com as complexidades regionais nacionais da Catalunha e do País Basco. Há uma fragmentação do sistema de comando partidário, há novas realidades à esquerda e timidamente à direita», considerou.


O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) da Andaluzia ganhou no sábado as eleições autonómicas naquela região, com 47 deputados, sem maioria absoluta, e com os partidos emergentes Podemos (15 deputados) e Ciudadanos (9) a entrar com forte representação no parlamento andaluz.

Com a quase totalidade (99,41%) dos votos escrutinados, o PSOE, com Susana Díaz como cabeça de lista, conseguiu ganhar as eleições e igualar o resultado obtido nas eleições de 2012, quando foi a segunda força política (com 47 deputados).

O grande perdedor da noite foi o PP andaluz (com Juan Manuel Moreno à frente da lista), que conseguiu apenas 33 deputados (ou seja, perdendo 17 assentos face aos 50 das eleições de 2012).

Ao contrário do PSOE, o PP perdeu votos para todos os partidos, sobretudo para os emergentes Podemos e Ciudadanos, que se apresentaram pela primeira vez a votos na Andaluzia.

A Izquierda Unida (comunistas) confirmou os maus resultados que as sondagens apontavam e elegeu 5 deputados, menos de metade dos 12 assentos obtidos em 2012.