O antigo general sérvio Ratko Mladic foi condenado, nesta quarta-feira, a prisão perpétua pelo massacre de Srebrenica, em julho de 1995, em que foram executados milhares de civis bósnios, incluindo crianças e idosos, todos do sexo masculino.

Após quatro anos de julgamento, o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia condenou o ex-líder militar, que comandou a limpeza étnica em Srebrenica, considerada o maior genocídio na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, por dez de 11 crimes cometidos durante a guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995.

Mladic, 74 anos, apelidado de “carniceiro dos Balcãs”, respondia por duas acusações de genocídio, quatro de crimes de guerra e cinco de crimes contra a humanidade, entre os quais, além do massacre de Srebrenica, enclave muçulmano da Bósnia, o cerco de três anos à capital Sarajevo. Em 43 meses morreram mais de 11.000 civis. Perseguição, extermínio e homicídios estão entre os crimes que o TPI-J considerou provados.

Os crimes cometidos estão entre os mais hediondos conhecidos pela humanidade e incluem genocídio e extermínio (...) Muitos destes homens e crianças foram amaldiçoados, insultados, ameaçados, espancados e forçados a cantar canções sérvias enquanto esperavam pela sua execução", disse o juiz Alphons Orie. 

A leitura do veredicto foi perturbada por um incidente, com o juiz a ordenar que o ex-militar abandonasse a sala de audiências e assistisse à leitura da sentença numa sala adjacente via televisão, depois de Mladic ter gritado "são tudo mentiras, vocês são todos mentirosos!"

O antigo general foi detido a 26 de maio de 2011 na Sérvia, depois de ter estado 16 anos em fuga. 

Ratko Mladic declarou-se sempre inocente de todas as acusações e deverá recorrer da sentença.

Quem é Ratko Mladic, o carniceiro de Srebrenica?

O julgamento do antigo general sérvio foi o último grande caso desta instância judicial da ONU, sediada na Holanda, com o objetivo de julgar e condenar os principais responsáveis das guerras interétnicas que destruíram a ex-Jugoslávia entre 1991 e 1999 (Croácia, Bósnia-Herzegovina e Kosovo).

O tribunal, que encerra as suas portas a 31 de dezembro, definiu como principal objetivo “evitar futuros crimes e prestar justiça às milhares de vítimas e suas famílias, contribuindo assim para uma paz duradoura na antiga Jugoslávia”.

O TPI-J apresentou em 24 anos acusações contra 161 pessoas, desde soldados até importantes responsáveis políticos, policiais ou militares.

Neste período, os magistrados escutaram cerca de 5.000 testemunhos e concretizaram perto de 11.000 sessões para indiciar os diversos acusados de genocídio, crimes de lesa humanidade, violações das leis e costumes da guerra e violência com armas.

Após o encerramento em dezembro, o tribunal vai manter em funcionamento apenas um pequeno setor provisório para analisar os recursos de outros casos.