Notícia atualizada às 23:35

Um soldado morreu e outro ficou ferido esta quarta-feira, na sequência de três tiroteios na cidade de Otava, capital do Canadá.


O soldado que foi abatido fazia sentinela no Memorial Nacional da Guerra quando foi atingido a tiro por um homem armado, que terá depois roubado um carro e rompido a segurança do parlamento canadiano. O soldado ainda foi socorrido, mas acabou por não resistir aos ferimentos.

Já dentro do edifício governamental, o suspeito terá disparado cerca de 30 tiros, onde terá ficado ferido um outro guarda. Segundo informações da polícia o homem foi abatido após a perseguição.   A agência Reuters divulgou entretanto o nome do atirador:  Michael Zehaf-Bibeau, canadiano, com origens no Quebec, segundo duas fontes norte-americanas familiarizadas com a investigação. 

O centro de Otava continua em alerta, e o Parlamento cercado, pois a política ainda não descartou a hipótese de existir um segundo atirador. 

Mais ataques

Um terceiro tiroteio junto ao centro comercial Rideau Center foi reportado pela polícia e por testemunhas, mas não existem feridos a registar.

«Os incidentes ocorreram no Memorial Nacional da Guerra, perto do Rideau Centre e no Parlamento esta manhã», escreveu a polícia de Otava no seu Twitter. 

A polícia confirmou que o alerta foi dado às 9:52 (14:52 em Lisboa), quando recebeu uma chamada que dava conta dos disparos junto ao Memorial, mas não consegue afirmar se o autor dos disparos do Memorial e do parlamento é a mesma pessoa. 

As autoridades afirmam que foram surpreendidas pelos ataques e que estão a trabalhar para tornar o local seguro.  «Apanhou-nos de surpresa», disse fonte da polícia à Reuters. 

Primeiro-ministro estava dentro do parlamento

Durante o ataque ao parlamento, a polícia tratou de assegurar rapidamente a segurança do primeiro-ministro Stephen Harper, que foi levado para um local seguro, e já condenou os ataques. 

«Apesar de o primeiro-ministro frisar que os factos ainda estão a ser reunidos, condena este ataques detestável», lê-se numa declaração emitida pelo gabinete do primeiro-minsitro, a que a Reuters teve acesso.  «O primeiro-ministro reafirmou que é importante que o governo e o parlamento continuem a funcionar».

Stephen Harper estava numa reunião com legisladores do seu partido quando o homem armado entrou no edifício, tendo passado pela porta onde decorriam os trabalhos.  «O primeiro-ministro estava numa reunião, depois [ouvimos] um grande "boom", seguindo de tiros. Ficamos assustados. Era claramente logo atrás da porta», afirmou o ministro do Tesouro, Tony Clement.

Cerco em Otava

Segundo a agência Reuters, a polícia confirmou que existem múltiplos suspeitos e que está a tentar localizá-los. A polícia admite que os autores dos ataques podem ser até três homens, e está a tentar localizar os dois restantes, que segundo a «Sky News» podem estar no telhado do edifício, que se mantém fechado. 

As autoridades estão, também, a controlar quem entra e sai de Otava. «Estamos à procura de suspeitos neste momento, então não sabemos se é apenas um, ou vários», disse Marc Soucy, agente da polícia de Otava, à Reuters.

Contactado pela mesma agência, uma porta-voz do hospital de Otava confirmou que deram entrada no hospital três pacientes relacionados com os tiroteios, dois em condições estáveis.

Por questões de segurança, o departamento militar do Canadá decidiu fechar as suas bases a civis em todo o país. Os cidadãos de Otava também foram alertados para se manterem afastados de telhados e janelas.

O Embaixador português em Otava confirma que há portugueses e lusodescendentes que trabalham naqueles edifícios.  

Uma equipa do jornal «The Globe and Mail», que acompanhou a equipa da polícia que entrou no Parlamento, filmou o momento em que vários tiros foram trocados dentro do edifício.



Uma das primeiras pessoas a chegar ao local foi Peter Henderson, do «The Wire Report», que encontrou o soldado já imóvel, com ferimentos «severos».

«Eu fui uma das primeiras pessoas no local que já estava deserto porque as pessoas fugiram a correr. Avancei, verifcando que ninguém tinha uma arma apontada para mim, corri para o meio e vi um jovem, claramente um soldado. Tinha sido alvejado várias vezes e tinha outros membros das forças Canadianas e outras pessoas que correram para o ajudar e começaram a tentar reanimá-lo», disse à «SkyNews».

«Ele não se mexia. [Os ferimentos] não podiam ser mais severos», continuou Henderson.

Enquanto estavam barricados dentro do parlamento, alguns deputados canadianos publicaram mensagens e imagens sobre o que estava a acontecer, de forma a tranquilizarem familiares e amigos.  O deputado Gerry Byrne escreveu que estavam «presos» no edifício e que não podia «dar entrevistas», já  a deputada Michelle Rempel preferiu tranquilizar a sua mãe: «Mãe estou bem, estou escondida», escreveu. 



O primeiro-ministro do Reino Unido já condenou os ataques desta quarta-feira e ofereceu o seu apoio ao povo canadiano: «Estou chocado com os ataques de hoje em Otava. Ofereço o meu apoio ao primeiro-ministro e ao povo canadiano, enquanto lidam com este incidente», escreveu na sua conta de Twitter.


O relato deste acontecimento surge apenas dois dias depois de um muçulmano convertido ter atropelado dois soldados canadianos, vitimando um mortalmente, perto de Montreal.  

Na última sexta-feira, o Governo canadiano tinha elevado o alerta terrorista no país, depois de um aumento de ameaças de radicais islâmicos na Internet sobre um possível ataque terrorista no Canadá. Recorde-se que o Parlamento do país aprovou na semana passada a participação da força aérea nos bombardeamentos contra o Estado Islâmico no Iraque.