Um petroleiro com 17 marinheiros da Geórgia está desaparecido há uma semana na costa do Gabão, no Golfo da Guiné, uma área onde atos de pirataria são relativamente frequentes, anunciaram hoje as autoridades.

Segundo uma fonte militar regional, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP), o navio petroleiro “despareceu” dos ecrãs de rastreamento a 14 de agosto e a área potencial de busca estende-se da costa gabonesa ao arquipélago de São Tomé e Príncipe.

Sites especializados indicam tratar-se de um navio químico ou petrolífero, com 121 metros de comprimento, de 12 anos e com capacidade para 7.000 toneladas.

O navio petroleiro, denominado de Pantelena, tem uma bandeira do Panamá e pertence a uma empresa grega.

Num comunicado divulgado na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Geórgia afirmou, em Tbilisi, que havia preocupações com os 17 marinheiros georgianos a bordo e que uma operação de busca está a ser conduzida com a ajuda das autoridades marítimas britânicas.

O Pantelena “desligou o seu localizador”, um dispositivo que rastreia a posição de uma embarcação por satélite, referiu uma fonte militar, recordando que "a primeira coisa que os piratas fazem quando embarcam num navio é cortar esse sinal".

A fonte explica ainda que, nesta fase, é prematuro considerar um ato de pirataria, pois “pode ser uma simples avaria da transmissão”.

Um membro da tripulação a bordo de um navio que navegava entre a capital do Gabão, Libreville, e Port-Gentil, o centro económico do país, disse que recebeu “uma mensagem de perigo pelo rádio” e que alertou a Marinha do Gabão.

Um oficial da Marinha gabonesa confirmou que “recebeu um alerta” sobre o Pantelena, mas não tem informação suficiente para intervir.

De acordo com a AFP, em São Tomé e Príncipe, que fica a cerca de 260 quilómetro do Gabão, o comandante da guarda costeira local, João Idalecio, afirmou que tinha sido enviado um navio de patrulha com uma tripulação de 30 pessoas para procurar o navio petroleiro.

A segurança marítima é uma das principais preocupações no Golfo da Guiné, com mais de 5.700 quilómetros de litoral e 17 países do Senegal a Angola, já que se tornou um epicentro da pirataria desde 2016, depois de a ameaça pirata diminuir na costa da Somália.

Em fevereiro, o MT Marine Express, um petroleiro registado no Panamá que carregava 13.500 toneladas de combustível, foi apreendido com a sua tripulação ao ser ancorado ao largo de Benin.

O navio e a tripulação foram libertados vários dias depois.

No passado mês, o International Maritime Bureau (IMB) divulgou que o seu centro especializado em denúncia de pirataria registou 107 incidentes em todo o mundo nos primeiros seis meses de 2018.

"Todos os 25 sequestros de tripulação relatados este ano ocorreram em seis incidentes no Golfo da Guiné, destacando os riscos mais altos nesta área", sublinhou o IMB.

Contudo, admite-se que o número real de incidentes no Golfo da Guiné seja "significativamente mais alto", acrescentou o relatório.

O modo de operação dos piratas também evoluiu do chamado "bunkering", roubo de material no barco, "para um aumento na tomada de reféns por resgate", disse em fevereiro o comandante de patrulha gabonês, Gael Mbanda.

O Gabão fica na parte sul do Golfo da Guiné, onde os piratas são o principal problema para o transporte marítimo.