O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse hoje esperar que as medidas adotadas pela União Europeia (UE) contra sete dirigentes venezuelanos permitam desbloquear uma situação que prejudica o meio milhão de portugueses ou lusodescentes residentes no país.

“A situação atual de bloqueio prejudica” o meio milhão de portugueses e lusodescendentes que vivem na Venezuela, disse Augusto Santos Silva, numa conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da UE.

O ministro exemplificou com “o sistema de intervenção nos preços” imposto pelo Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que decretou a redução de preços de produtos em 76 supermercados, incluindo algumas cadeias exploradas por portugueses.

O MNE destacou que as sanções adotadas pela UE não prejudicam a sociedade nem a economias do país, dado que se dirigem a altos quadros políticos, “todos considerados pela UE como responsáveis máximos e diretos por violações dos direitos humanos na Venezuela”.

“Estas medidas são contidas, reversíveis, não constituem sanções económicas que poderiam penalizar a população”, considerando a UE que podem incentivar o diálogo entre Caracas e a oposição.

Em novembro, a UE proibiu a venda de armas e material que possa ser usado como tal à Venezuela e hoje adotou novas sanções, por considerar que as negociações – nomeadamente para se chegar a um calendário para eleições presidenciais – não estão a resultar.

A UE aprovou hoje sanções contra sete personalidades venezuelanas, incluindo o ministro do Interior, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e o procurador-geral.

Das sete pessoas, destacam-se o ministro do Interior e Justiça, Néstor Luis Reverol Torres, o presidente do STJ venezuelano Maikel José Moreno Pérez e ainda o procurador-geral, Tarek William Saab Halabi.