O avião que transportou a médica espanhola retirada do Mali depois de se picar acidentalmente quando tratava um doente infetado com o vírus do Ébola aterrou esta sexta-feira em Madrid cerca das 10:00 locais (09:00 em Lisboa).

Uma ambulância esperava na base área de Torrejón de Ardoz, em Madrid, a médica, que viajou num avião fretado pela organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) e que vai ser agora transportada para o Hospital Carlos III em Madrid.

Fontes da Conselharia de Saúde da Comunidade de Madrid explicaram que a médica ficará isolada, em observação, devendo ser submetida a análises para determinar se houve ou não contágio.

A médica, natural de Navarra e que trabalhava para os MSF no Mali, é a quarta pessoa a ser transportada para Espanha desde que começou a crise do Ébola em África.

Segundo fontes da MSF, a médica, que não apresenta quaisquer sintomas e, como tal, não existem perigo de contágio, ter-se-á picado acidentalmente quando estava a dar assistência a um doente com Ébola.

As mesmas fontes insistem que a médica não está doente e que esta é apenas uma medida preventiva depois de um acidente com material contaminado.

Durante as próximas 48 horas serão realizadas as provas que determinarão se a médica foi ou não contagiada pelo vírus.

As provas serão realizadas através do método reação em cadeia de polimérase (PCR, na sua sigla inglesa), um dos métodos mais comuns usado na deteção e diagnóstico de doenças infeciosas.

As autoridades espanholas já tinham transferido para Espanha os dois sacerdotes Miguel Pajares e Manuel Garcia Viejo - ambos acabaram por morrer em Madrid - e a freira Julian Bonoha, que não estava contagiada.

Miguel Pajares e Julian Bonoha chegaram a Espanha a 07 de agosto passado, tendo o sacerdote morrido cinco dias depois, enquanto a freira teve alta, sem contágio, a 28 de agosto.

Cerca de um mês depois, a 22 de setembro, chegou o religioso e médico García Viejo, proveniente da Sierra Leoa e que faleceu três dias depois.

A auxiliar de enfermagem Teresa Romero, que fez parte da equipa que assistiu os religiosos, tornou-se na primeira contagiada do vírus do Ébola fora de África.

Trinta dias depois, a auxiliar superou a doença, tendo a OMS estabelecido um período de quarentena para Espanha até 02 de dezembro, se não houverem mais casos, para se decretar livre do Ébola.