Os Estados Unidos pediram esta terça-feira uma «contagem rigorosa» dos votos das eleições gerais em Moçambique, realizadas na passada quarta-feira, alertando para irregularidades detetadas na comparação entre os resultados das mesas de votação e os apuramentos distritais.

Num comunicado divulgado pela embaixada norte-americana em Maputo, os Estados Unidos encorajam as entidades eleitorais moçambicanas «a continuar o seu papel importante num espírito de abertura, e a favor da confiança no processo», mas registam «algumas irregularidades surgidas na reconciliação dos resultados das mesas de voto com as contagens distritais».

O comunicado menciona o período de campanha eleitoral e o dia da votação, durante os quais «observadores da sociedade civil moçambicana, dos partidos políticos, da embaixada dos Estados Unidos e outras entidades internacionais citaram preocupações importantes relativas a um acesso desigual à imprensa, abuso de recursos do Estado, materiais e registos de eleitores em falta ou deficientes, e abertura tardia das mesas de voto».

Segundo o documento, «verificaram-se ainda falhas na administração técnica das eleições, particularmente na acreditação atempada de observadores nacionais e agentes dos partidos» e, apesar da participação «ordeira e pacífica da maioria dos moçambicanos», registaram-se «atos de violência em diversas instâncias».

«Os Estados Unidos apelam a todas as partes interessadas para que abordem quaisquer questões surgidas através dos mecanismos disponíveis na lei eleitoral e às autoridades relevantes para que investiguem e respondam a todas as reclamações eleitorais, e simultaneamente trabalhem no sentido de expandir o espaço político e fomentar os direitos civis», lê-se ainda no comunicado, citado pela Lusa.

Também esta terça-feira, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia em Moçambique manifestou preocupação com atrasos no apuramento das eleições gerais em Moçambique, que, aliados à ausência de explicações oficiais, «deterioram o que tinha sido um início ordeiro da jornada eleitoral».

A Missão de Observação lamentou também «os obstáculos colocados aos observadores da União Europeia no acesso à informação sobre o apuramento provincial em Cabo Delgado e na Zambézia», lembrando que, ao abrigo da lei, «todo o todo o processo eleitoral deve pautar-se pela transparência e integridade».

Muitas das dificuldades e obstáculos, segundo os observadores europeus, resultam da «falta de organização e conhecimento dos procedimentos de apuramento, tratamento incorreto das atas e material de votação e métodos de apuramento demorados».

Mais de dez milhões de moçambicanos foram chamados na quarta-feira para escolher um novo Presidente da República, 250 deputados da Assembleia da República e 811 membros das assembleias provinciais.

No escrutínio concorreram três candidatos presidenciais e 30 coligações e partidos políticos.