O jornal El País vai deixar de publicar anúncios classificados de contactos. Desde a edição do jornal de dia 15 de julho que o jornal não publicou mais deste tipo de anúncios. A decisão é baseada na “defesa dos direitos das mulheres”.

Tiveram um grande peso as opiniões dos nossos leitores, através das “Cartas ao Editor”, do Provedor do Leitor e dos comentários nas nossas notícias e redes sociais, que transmitiram, repetidamente, a sua rejeição destes anúncios”, escreveu o El País.

Com esta decisão, o jornal espanhol pretende manter a coerência editorial. O El País já divulgou inúmeras denúncias sobre exploração sexual. Além disso, no mês de abril, publicou uma série de reportagens sobre escravatura em Espanha, onde denunciava a situação de milhares de pessoas que são usadas como escravas sexuais no país. Portanto, o jornal não acha coerente continuar a publicar anúncios classificados de contactos, que, muitas vezes, são de cariz sexual.

O El País recorda que a prostituição é ilegal em Espanha, apesar de ser o país europeu com mais procura por esta atividade. Graças a mudanças legais feitas em 2010 e 2015, que criminalizam o tráfico de pessoas, já se registaram alterações na prática da prostituição. De acordo com o jornal espanhol, apenas em cinco anos, de 2012 a 2016, foram resgatadas mais de quatro mil vítimas de exploração sexual.

Vários estudos e diversos especialistas defendem que a maioria das mulheres que oferecem servições sexuais estão a ser escravizadas”, afirma o jornal espanhol.