O presidente francês, François Hollande, disse estar "convencido de que as pistas apontam para um ato terrorista" no tiroteio que, esta quinta-feira à noite, provocou a morte de um polícia e deixou outros dois feridos com gravidade, na avenida dos Campos Elísios, em Paris. O ataque provocou ferimentos também num civil.

Estamos convencidos, as pistas que podem conduzir a investigação são de ordem terrorista", afirmou o presidente, numa declaração pública, em que sublinhou também que “os polícias foram deliberadamente atingidos”.

O chefe de Estado confirmou a morte de um polícia, que será homenageado na sexta-feira, a nível nacional, e disse que o ataque foi levado a cabo com uma arma de guerra.

Dois outros polícias ficaram feridos, assim como um turista", acrescentou.

François Hollande adiantou que há um inquérito em curso para apurar responsabilidades, motivações e eventuais cúmplices.

Reiterando por diversas vezes a solidariedade para com as vítimas, o presidente francês avançou que a “unidade de contra terrorismo foi mobilizada” e que o caso merecerá uma investigação profunda. François Hollande garantiu vigilância absoluta por parte de todas as forças de segurança e militares envolvidas nos dispositivos já acionados para este período político em França, com a primeira volta das eleições presidenciais a realizar-se no domingo. Uma eleição em que a segurança é um dos temas em destaque, após vários ataques terroristas no país nos últimos anos.

Seremos extremamente cautelosos devido ao período de eleições”, disse o presidente.

François Hollande dirigiu-se diretamente às forças policiais.

“Todos percebemos que as nossas forças de segurança estão a fazer um trabalho tremendo”, começou por dizer. “Temos de ter consciência de que as nossas forças policiais estão expostas”. “Todas as medidas estão a ser tomadas para que sejam protegidos”.

O chefe de Estado lamentou a morte do agente de autoridade, enviou condolências à família e garantiu que lhe será prestada "uma homenagem nacional".

"Os meus pensamentos vão para a família do polícia morto e os entes próximos dos feridos", disse ainda Hollande. "Todas as medidas que podem ser tomadas foram tomadas", garantiu.

A França continua sob estado de emergência decretado depois do atentado ao Bataclan, em Paris, em novembro de 2015.

François Hollande anunciou que agendou uma reunião do Conselho de Segurança do Eliseu, para sexta-feira, às 08:00 locais, menos uma hora em Portugal.

O Estado Islâmico reivindicou, entretanto, o tiroteio nos Campos Elísios através do seu canal de propaganda, a agência Amaq. O grupo extremista disse ainda que o autor dos disparos é um cidadão de origem belga.

As autoridades francesas afirmaram que o autor do ataque estava identificado como extremista e referiram que o homem aparentemente atuou sozinho.

A procuradoria francesa anunciou ter aberto uma investigação de terrorismo ao incidente, que ocorreu cerca das 21:00 locais (22:00 em Lisboa).