A coligação opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) acusou esta sexta-feira o Governo venezuelano de tentar ilegalizar a oposição democrática, ao deter o líder do partido Alternativa Democrática e presidente da área metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma.

«Constatamos a patética demonstração de debilidade que o Governo venezuelano está a dar perante a erosão do (seu) apoio popular (...). O Governo optou por um atalho, pela violência e tenta ilegalizar a oposição democrática», disse o secretário da MUD.

Numa conferência de imprensa, em Caracas, Jesus Torrealba denunciou que o autarca foi «brutalmente detido» na quinta-feira e que, de momento, «não há informação oficial sobre o seu paradeiro».

A detenção de Antonio Ledezma, líder do partido Alternativa Democrática, teve lugar na quinta-feira, um ano depois de ser detido o opositor Leopoldo López, dirigente do partido Vontade Popular.

Na sua conta na rede social Twitter, o ex-presidente do Chile Sebastián Piñera escreveu que «a detenção, ilegal e abusiva confirma os múltiplos atentados contra as liberdades, a democracia e os direitos humanos por parte do Governo do Presidente (Nicolás) Maduro».

Piñera pediu «respeitosamente ao Governo do Chile que levante claramente a sua voz em defesa das liberdades, a democracia e os direitos humanos na Venezuela».

O antigo presidente da Colômbia Andrés Pastrana também lamentou a «detenção arbitrária». «Acompanhamos os irmãos venezuelanos neste momento difícil», disse.

Segundo Mtizy Capriles de Ledezma, mulher do autarca, o opositor foi detido por mais de 30 funcionários dos serviços secretos que entraram no seu gabinete, na Torre Exa, de Chacao, na zona este de Caracas e o levaram à força.

«Responsabilizo, de maneira total e absoluta, (Nicolás) Maduro, por qualquer coisa que aconteça a Antonio Ledezma», disse.

A detenção teve lugar sete dias depois de Antonio Ledezma, Leopoldo López e a opositora Maria Corina Machado apelarem aos venezuelanos para apoiarem um Acordo Nacional para a Transição no país.

«A Venezuela será o que os venezuelanos fizerem dela, através da mudança de rumo que nós mesmos decidirmos. Esse rumo estará assegurado pelos consensos e compromissos do Acordo Nacional para a Transição», explicaram os líderes da oposição, num comunicado conjunto.