O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, disse, esta quinta-feira, que Abdelhamid Abaaoud está implicado em quatro atentados “evitados ou frustrados”, de cerca de seis detetados desde a última primavera.
 
Em conferência de imprensa, Bernard Cazeneuve confirmou o “papel determinante” de Abaaoud nos atentados de Paris.

Na mesma conferência de imprensa, Cazeneuve avançou que França não recebeu qualquer informação de que Abdelhamid Abaaoud no país ou a caminho. As autoridades vão agora tentar “reconstituir o percurso deste terrorista que se juntou à Síria, desde 2014”. 

“Não nos foi comunicada nenhuma informação de qualquer país europeu no qual ele pode ter estado em trânsito antes de chegar à França. (…) Apenas a 16 de novembro, depois dos atentados de Paris, um serviço de inteligência de um país nos relatou ter tido conhecimento da sua presença na Grécia”, disse Cazeneuve.

 
A França insiste na diplomacia e o ministro do interior apela à União Europeia para que reforce as fronteiras exteriores e aposte num reforço da coordenação contra o tráfico de armas. É necessário que a “Europa se una” contra o terrorismo.

O ministro adiantou ainda que a presença do suspeito em Saint-Denis foi comunicada à França pelos serviços de inteligência de um país de "fora da Europa", sem especificar qual.

"A cooperação na luta contra o terrorismo é crucial. É urgente que a Europa recomeça, se organiza, se defender contra a ameaça do terrorismo", disse ele.


Encontrado "com o corpo crivado de balas"


Esta quinta-feira, a procuradoria de Paris confirmou a morte de Abdelhamid Abaaoud, durante o raide policial de Saint-Denis.
 

"Abdel Hamid Abaaoud foi agora formalmente identificado, depois de uma comparação de impressões digitais, como o homem que morreu durante o raide [de quarta-feira]", diz o comunicado da procuradoria de Paris".

 

"É o corpo que foi descoberto no edifício, crivado de balas", acrescenta.

 
De acordo com Georges Salinas, responsável pela Polícia de Elite BRI, a identificação do corpo demorou mais do que o esperado, porque o terceiro piso do edifício alvo do raide policial, colapsou durante o ataque da polícia e na sequência da explosão. 

De acordo com Bernard Cazeneuve, Abaaoud era o alvo da intervenção em Saint-Denis. "Havia na operação de Saint-Denis uma meta a atingir", disse Bernard Cazeneuve.
 

Tentava recrutar espanhóis para o Estado Islâmico

 
O ministro do Interior de Espanha, Jorge Fernandez Diaz, adiantou esta quinta-feira que o autor moral dos atentados, Abdelhamid Abaaoud, tentou recrutar espanhóis, sobretudo mulheres, para o Estado Islâmico. Fernandez Diaz disse que o jihadista tentava fazer o recrutamento através da Internet.
 

"Esta pessoa, Abdelhamid Abaaoud, tentou recrutar espanhóis através das redes sociais para o Daesh... para povoar o califado."

 
A imprensa internacional vai divulgando novas informações sobre o autor moral dos atentados de Paris. Agora a revista alemã Der Spiegel, que dá conta que Abdelhamid Abaaoud esteve na Alemanha várias vezes.

Numa dessas vezes, a 20 de janeiro, foi intercetado no aeroporto de Colónia, antes de apanhar um avião para Instambul, na Turquia. Na altura disse às autoridades que queria visitar amigos e  familiares.
 
Depois, segundo a mesma revista, terá usado outra rota para chegar à Europa.
 
Acompanhe aqui, ao minuto, tudo sobre as investigações aos atentados de Paris.
 

Ministros europeus reunidos de emergência


Esta sexta-feira, terá lugar um conselho de ministros do Interior da União Europeia, em Bruxelas. Na reunião, os ministros europeus deverão aprovar o imediato reforço do controlo nas fronteiras externas ao espaço Schengen.
 
De acordo com um documento preparatório a que a Reuters teve acesso, o objetivo da reunião de emergência marcada para sexta-feira, no seguimento dos atentados perpetrados em Paris, é precisamente o de definir um acordo para "implementar imediatamente os necessários controlos sistemáticos e coordenados nas fronteiras externas" ao espaço Schengen.
 
O plano vem de encontro ao pedido de reforço do controlo de movimentos feito pelas autoridades francesas depois dos atentados da última sexta-feira.

Portugal estará representado na reunião pelo ministro da Administração Interna, João Calvão da Silva.