António Guterres apelou à diplomacia na resolução do conflito com a Coreia do Norte, mas Donald Trump prefere, para já, a artilharia das palavras.

Os Estados Unidos têm uma grande força e paciência, mas se forem forçados a defenderem-se ou a defenderem os seus aliados, não terão outra escolha a não ser destruir totalmente a Coreia do Norte. Nunca ninguém mostrou maior desprezo pelas outras nações e pelo bem-estar do seu próprio povo do que o regime depravado da Coreia do Norte", afirmou o presidente dos Estados Unidos, na sua intervenção na 72.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira, já com o embaixador de Pyongyang, Ja Song Nam, fora da sala, que não quis ouvir o discurso do inimigo norte-americano. "É altura de a Coreia do Norte perceber que a sua desnuclearização é o único futuro aceitável."

Mas Donald Trump não ficou por uma ameaça na estreia na AG da ONU. Referindo-se a Kim Jong-un, mas sem proferir o seu nome, disse que "o homem-bala está numa missão suicida para ele e para o seu regime".

O chefe de Estado norte-americano, que discursou durante cerca de 40 minutos, disse mesmo aos membros presentes para que se unam no sentido de isolar o regime de Pyongyang até que Kim Jong-un pare com o comportamento "hostil" que "ameaça o mundo inteiro".

Pela sua parte, prometeu que os EUA serão, em breve, mais fortes do que nunca em termos militares.

Donald Trump esclareceu as nações presentes que o objetivo do seu país não é ser ofensivo nem impor a sua soberania aos demais, apenas "defender os interesses da América acima de tudo". "Tal como vocês, líderes dos vossos países, devem colocar os vossos países em primeiro lugar."

Mas não é só a Coreia do Norte que constitui uma ameaça nuclear para Trump. Também o Irão foi visado pelo presidente dos Estados Unidos, pedindo aos presentes para que ajudem a travar o programa nuclear iraniano, que disse ser um "embaraço".

É um Estado pária, economicamente falido", cuja exportação principal é a violência, criticou. "Não podemos deixar um regime assassino continuar as suas atividades desestabilizadoras. Não podemos respeitar um acordo que serve para cobrir a eventual implementação de um programa nuclear."

Igualmente a crise na Venezuela, devido à "ditadura socialista", mereceu críticas por parte do presidente dos Estados Unidos, que a considerou "completamente inaceitável".

O debate geral anual da 72.ª Assembleia-Geral da ONU começou hoje na sede da organização, em Nova Iorque, com o discurso do presidente brasileiro, Michel Temer, cumprindo a tradição que reserva ao chefe de Estado do Brasil honras de abertura dos discursos no órgão multilateral.

Imediatamente antes da abertura do debate geral, às 09:00 locais (14:00 em Lisboa), caberá ao secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentar o seu relatório anual, apesar de ainda não ocupar o cargo há um ano.

Na quarta-feira, às 11:30 locais (16:30 em Lisboa), será a vez de o primeiro-ministro português, António Costa, se estrear como orador no debate geral, entre chefes de Estado e de Governo, com um discurso centrado nos valores do desenvolvimento sustentável e da defesa do ambiente.