As autoridades colombianas estão a investigar os restos mortais encontrados nos esgotos de uma cadeia de Bogotá, relacionando-os com o  desaparecimento de mais de uma centena de pessoas. Os cadáveres terão sido alegadamente depositados nos esgotos da prisão La Modelo, na Colômbia.

O caso foi confirmado pela procuradora Caterina Heyck Puyana que, em conferência de imprensa, na quarta-feira, informou que a investigação da Procuradoria-Geral à prisão de La Modelo já dura há meses, não adiantando, no entanto, quando é que foram descobertos os restos mortais.

“Desde o ano passado que começámos a investigar a possibilidade do desaparecimento e desmembramento de um número indeterminado de pessoas na cadeia de La Modelo, em Bogotá”.

 

Ainda segundo a CNN, a procuradora terá dito que “as vítimas eram reclusos, visitas e pessoas que não tinham nada a ver com a prisão. Os restos mortais terão sido atirados para o sistema de esgotos”. Estas pessoas terão desaparecido naquela cadeia entre 1999 e 2001, acrescenta o La Nación.

O atual diretor das prisões, Jorge Luis Ramírez, confirmou buscas em La Modelo há três meses, mas adiantou que "não tinha conhecimento do esquartejamento de pessoas". 

La Modelo é uma das maiores prisões colombianas. E está sobrelotada. A investigação concentra-se agora ali, mas estes crimes podem ter ocorrido noutras prisões.

Jornalista que denunciou os crimes foi raptada e violada

A investigação a estas mortes surge na sequência de uma outra, a dois guerrilheiros, acusados do rapto e violação de uma jornalista, Jineth Bedoya, que começou a investigar as mortes para o jornal El Espectador.

Jineth Bedoya, em 2001, após o rapto; e Jineth Bedoya com Michelle Obama e Hillary Clinton, em 2012, vencedora de um prémio para mulheres de coragem (Fotos Reuters)

Um dos guerrilheiros, pelo menos, terá subornado os guardas, e era ele que controlava uma das alas da prisão onde decorreram as mortes.

A jornalista tem agora esperança de que se faça justiça, ainda que tarde. “É uma dívida que o Estado tem não apenas com Jineth Bedoya, mas com centenas de vítimas da prisão de La Modelo e das forças paramilitares”, disse Jineth Bedoya, na quarta-feira, citada pela CNN.