O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido defendeu em Lisboa que a União Europeia deve considerar o prolongamento até ao final do ano das sanções impostas à Rússia caso o cessar-fogo na Ucrânia seja abandonado.

«Se o cessar-fogo cair ou se determinarmos que a Rússia não está a agir de boa-fé devemos, em primeiro lugar, admitir adotar uma posição clara sobre a extensão das sanções já em vigor, que devem expirar em julho e prolongá-las até ao final do ano. Isso enviaria um sinal muito forte a Moscovo», disse Philip Hammond após um encontro com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, no Palácio das Necessidades.

O ministro britânico recordou que está em estudo uma lista de novas opções de sanções, que podem vir a ser utilizadas.

«Todos desejamos a paz, mas tenho de dizer que os sinais não são bons. Putin está a apelar às forças ucranianas para que se rendam em Debaltseve, o que não está minimamente no espírito do que foi acordado na semana passada e revela as verdadeiras intenções da Rússia», afirmou Philip Hammond.

O exército ucraniano está a retirar algumas das suas tropas que se encontram cercadas em Debaltseve, após uma ofensiva dos rebeldes pró-russos naquela cidade estratégica do leste da Ucrânia.

«Apelo a todas as partes envolvidas no acordo de Minsk da semana passada para que observem o espírito dos compromissos que fizeram, que deponham as armas, que se retirem da linha de conflito e que movam a artilharia pesada do campo de batalha e que respeitem todos os compromissos que fizeram no acordo de Minsk no outono passado», sublinhou Hammond, que avisou: «Nada menos que isso irá resultar».

Até que a Rússia e os separatistas «cumpram as suas obrigações», os Estados-membros da União Europeia devem manter-se «fortes, unidos e determinados para manter as sanções impostas à Rússia».

«Encontrámos uma importante ferramenta económica de diplomacia. É uma arma tão importante como os tanques, navios de guerra ou aviões para defender os nossos valores e proteger os nossos interesses. Se nos mantivermos fortes e unidos na utilização da arma das sanções, poderemos usá-la novamente no futuro», defendeu.

Sobre a possibilidade de prestar apoio militar à Ucrânia, Philip Hammond recordou que essa matéria diz respeito a cada Estado, mas afastou a possibilidade de o Reino Unido o fazer «neste momento».

Antes, o chefe da diplomacia portuguesa referiu a necessidade de se «encontrar uma solução para o grave risco de ter um conflito prolongado nessa área».