Os 13 irmãos encontrados acorrentados na casa dos pais estavam assim "há meses", por castigo, tendo sido acorrentados e deixados à fome, avança a Reuters que esteve presente na conferência de imprensa onde foram conhecidos detalhes da história que está a chocar o mundo. O casal foi presente a tribunal, esta quinta-feira, onde se declarou inocente de todos os crimes de que são acusados. 

Segundo a mesma fonte, os pais, David Turpin e Louise Turpin, que estão formalmente acusados de 12 crimes de tortura, seis crimes de abuso de crianças, sete crimes de abuso a adultos dependentes e 12 crimes por manterem as crianças em cativeiro, podem ser condenados a 94 anos de prisão. No total, são 38 os crimes pelos quais são acusados. O pai dos 13 irmãos foi acusado de abuso sexual de uma das filhas com menos de 14 anos.

A fiança foi agora aumentada para 13 milhões, um milhão por cada filho. O casal voltará a tribunal no dia 23 de fevereiro.

Em conferência de imprensa, Mike Hestrin, procurador do distrito de Riverside, garantiu que as autoridades estão "totalmente preparadas para fazer justiça e para o fazer de forma a proteger estas vítimas de futuras ameaças".

Hestrin revelou, ainda, que as crianças eram mantidas acordadas durante a noite e dormiam durante o dia para que ninguém de fora testemunhasse os abusos de que eram alvo. As vítimas eram agredidas regularmente e chegaram mesmo a ser estranguladas.

Segundo a mesma fonte, aos 13 irmãos apenas lhes era permitido escrever diários. Nas buscas à casa onde eram mantidos em cativeiro, as autoridades encontraram centenas de diários que deverão ser usados como provas contra os pais.

"Trata-se de abuso físico e emocional severo, não há como negar. Trata-se de conduta depravada", acrescentou.

Sobre a jovem de 17 anos, que avisou a polícia do cativeiro em que ela e os irmãos eram mantidos, sabe-se agora que planeou a fuga durante dois anos. No dia em que conseguiu escapar pela janela, a rapariga fugiu acompanhada por uma irmã. No entanto, esta ficou com medo do que podia acontecer e regressou a casa.

A conferência de imprensa revelou ainda outros detalhes sobre as vítimas:

  • a tortura terá começado em 2010,
  • só estavam autorizadas a tomar banho uma vez por ano,
  • não eram libertadas para ir à casa de banho,
  • eram acorrentadas ou agredidas se lavassem as mãos "acima dos pulsos" por que os pais consideravam que estavam a "brincar com a água",
  • só tinham autorização para comer uma refeição por dia, mas os pais compravam comida, como tartes, e deixavam-nas à vista dos filhos sem que os deixassem comer,
  • nenhuma das crianças teve uma consulta de dentista na vida, 
  • há quatro anos que não eram vistas por um médico,
  • um dos filhos mais velhos estava autorizado a sair de casa para ir às aulas, mas era acompanhado pela mãe que esperava por ele até as aulas terminarem,
  • os pais passaram a usar correntes depois de um filho ter conseguido escapar das cordas que o amarravam à cama,
  • os castigos podiam “durar semanas ou meses”,
  • a única vítima que não se encontrava esfomeada era a criança de dois anos,
  • a vítima de 29 anos pesava apenas 37 quilos,
  • não estavam autorizadas a brincar com brinquedos. Os mesmos foram encontrados na casa com a embalagem original,
  • as vítimas tinham pouco conhecimento do quotidiano e não sabiam o que era um agente da polícia.