As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciaram esta quarta-feira um cessar-fogo unilateral na Colômbia, «por tempo indeterminado», no quadro das negociações de paz em curso com o Governo de Bogotá.

«Decidimos declarar um cessar-fogo unilateral e a interrupção das hostilidades, por tempo indeterminado, o que deverá conduzir a um armistício», lê-se no blogue da delegação das FARC em Havana, capital de Cuba, onde decorrem as negociações entre a guerrilha e o Governo colombianos.


O recurso às armas está agora reservado a casos de ataque.

O diálogo entre o principal grupo de guerrilha e o Governo da Colômbia foi retomado há uma semana, após ter sido ultrapassada a pior crise política desde o início das conversações, em novembro de 2012.

A última sessão de conversações tinha decorrido a 02 de novembro e deveria ter-se repetido a 18 de novembro, mas, dois dias antes, Bogotá anunciou a suspensão do diálogo, após o sequestro do general Ruben Alzate e de dois acompanhantes, atribuído às FARC.

Duas semanas depois, as FARC libertaram os três prisioneiros, permitindo o recomeço do diálogo.

As conversações já permitiram acordos parciais sobre desenvolvimento rural, combate ao tráfico de droga e participação da guerrilha na vida política, após um acordo geral.

Após a conclusão do capítulo sobre as compensações às vítimas, permanecem por abordar o fim efetivo do conflito e as modalidades de ratificação de um eventual acordo de paz global.

O conflito na Colômbia, que envolveu o exército, as guerrilhas marxistas das FARC e do Exército de Libertação Nacional (ELN), paramilitares de extrema-direita e bandos criminais com ligações ao narcotráfico provocou, nos últimos 50 anos, mais de 220.000 mortos e cinco milhões de deslocados, segundo os números oficiais.