Um dia depois de ter sido encontrada a caixa-negra que contém o registo áudio do voo da Egyptair que se despenhou a 19 de maio no mar Mediterrâneo com 66 pessoas a bordo, foi descoberta e recuperada a segunda caixa-negra do voo MS804, avança a AP, que cita fontes da investigação.

Esta segunda caixa-negra contém os dados de voo, isto é, tudo o que ficou gravado pelos computadores do avião e que pode ajudar a perceber se existiu alguma avaria no aparelho.

Primeira caixa já está a ser analisada

A caixa-negra encontrada esta quinta-feira já está a ser analisada pelos investigadores egípcios. De acordo com fonte da investigação - que não pode ser identificada por não estar autorizada a prestar declarações -, o registo de áudio do voo MS804 começou a ser analisado esta sexta-feira, depois de ter chegado ao Cairo durante a noite.

Segundo a mesma fonte, a caixa-negra está danificada mas, por ter sido recuperada "cuidadosamente", foi possível aceder à unidade de memória da mesma. Recorde-se que os registos desta caixa vão permitir ouvir as conversas entre piloto e copiloto e outros sons que possam ajudar a explicar o que levou ao desastre.

O Airbus 320 fazia a ligação entre Paris e o Cairo quando desapareceu a 19 de maio. Acidente ou ato de terrorismo: as duas hipóteses continuam em cima da mesa. 

Na quarta-feira a comissão de inquérito ao desastre anunciou, em comunicado, que foram encontrados, em “diversos locais”, fragmentos da cabine do avião.

Uma análise preliminar aos cadáveres dos passageiros aponta para uma explosão a bordo. Esta conclusão foi revelada à Associated Press por um especialista forense, que fala na condição de anonimato.

Segundo aquele membro da equipa de investigação às causas da queda do avião da companhia aérea egípcia, os 80 restos mortais que foram levados para a morgue no Cairo são muito pequenos, “não há uma parte do corpo que esteja completa, como um braço ou uma perna”, o que evidencia uma explosão.

Mas não posso dizer o que causou o rebentamento”, acrescentou à AP.

Os restos mortais, “cujo maior tem o tamanho de uma palma da mão”, chegaram à morgue da capital egípcia em 23 sacos.

Outra fonte da investigação explicou à agência Reuters que é demasiado cedo para tirar esse tipo de conclusões, já que os dados recolhidos ainda são poucos.