Depois da vitória do sim no referendo turco, o principal partido da oposição, Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata), pediu ao conselho eleitoral para cancelar os resultados, alegando irregularidades no escrutínio.

"Há apenas uma maneira de acabar com as discussões sobre a legitimidade do voto e deixar as pessoas à vontade, que é o Supremo Conselho Eleitoral cancelar a votação”, defendeu Bulent Tezcan, vice-presidente do CHP.

A decisão, sem precedentes, de aquele conselho aceitar como válidos boletins sem o carimbo oficial originou indignação entre os partidos da oposição.

Se o referendo não for anulado, a Turquia vai substituir o atual regime parlamentar por um presidencialista. O sim conseguiu mais 1,25 milhões de votos que o não.

O referendo questionava a população sobre a alteração da constituição, em vigor desde 1982, em vários pontos. Das 18 propostas, a mais importante diz respeito ao sistema utilizado no país: atualmente a Turquia segue o modelo parlamentar (similar ao português), mas a alteração vai implementar o sistema presidencialista (similar ao norte-americano), o que vai transformar o presidente no chefe de Governo.

Significa que deixará de existir um primeiro-ministro e o presidente terá todo o poder de decisão no país. Significa, também, que o atual presidente, Recep Tayyip Erdogan, poderá ficar no poder até 2029.

Erdogan assumiu a vitória, congratulando-se com a "decisão histórica" e garantindo que as alterações vão beneficiar a Turquia. O presidente turco pediu aos países estrangeiros para “respeitarem o resultado”.

Estamos a realizar a reforma mais importante da história da nossa nação", afirmou o presidente turco.

O primeiro-ministro também acredita que as alterações à constituição vão abrir uma nova página na história da democracia turca. Depois de conhecer os resultados, Binali Yildirim afirmou, perante um grupo de apoiantes, disse que as transformações que aí vêm são a melhor resposta aos autores do golpe de estado falhado de junho, aos rebeldes curdos e a todos os que querem atacar a Turquia.

Meus caros concidadãos, de acordo com os resultados não oficiais, o referendo para a presidencialização do sistema terminou com [uma vitória do] Sim", disse Yildirim num discurso de vitória na sede do seu partido, o AKP, em Ancara.