A Procuradoria sul-coreana acusou esta segunda-feira, oficialmente, a ex-Presidente Park Geun-hye e enviou o caso para tribunal penal por suspeitas de corrupção. A política arrisca uma condenação de entre 10 anos de cadeia e prisão perpétua.

Depois do interrogatório, que começou a 21 de março, a ex-chefe de Estado é agora acusada de suborno, abuso de poder, coação e divulgação de segredos oficiais, informou a agência Yonhap, citada pela Efe.

Park, que perdeu a sua imunidade presidencial após ser destituída a 10 de março, está em prisão preventiva há quase 20 dias pelo seu presumível papel na rede criada juntamente com a sua amiga Choi Soon-sil (conhecida como "Rasputina" pela sua proximidade com a ex-Presidente), que alegadamente extorquiu cerca de 70 milhões de dólares a grandes empresas.

Nos últimos dias, os meios de comunicação social estatais da Coreia do Norte endureceram as críticas contra a filha do general Park Chung-hee, uma figura particularmente repudiada na Coreia do Norte, que liderou um regime militar na Coreia do Sul entre 1961 e 1979.

Numa nota extraordinariamente detalhada, ao contrário do que é habitual, publicada pela agência oficial KCNA, o regime norte-coreano considera que os protestos populares a exigir a destituição da antiga chefe de Estado são uma “demonstração, sem precedentes, de rancor e raiva contra a ditadora Park e parceiros”.

O comunicado apelida a antiga chefe de Estado de "malvada vilã" e diz que cometeu "pecados", tendo transformado a Coreia do Sul numa "sociedade que trata as pessoas como cães ou porcos" ou "numa horrível terra baldia de obscuridade medieval".

O escândalo desencadeou protestos populares em massa na Coreia do Sul ao longo de meses, para exigir a demissão da Presidente.

Após a destituição de Park - a primeira de um chefe de Estado desde que a Coreia do Sul voltou a realizar eleições democráticas em 1987 - foram convocadas eleições presidenciais para 9 de maio.

Esta era a última data possível do prazo de 60 dias previsto na Constituição para a realização de eleições no caso de o mandato do chefe de Estado do país ser interrompido. É também a primeira vez que as eleições presidenciais são antecipadas na Coreia do Sul.

Ao todo, 30 pessoas foram até agora indiciadas no escândalo que também afetou 53 empresas, incluindo gigantes como a LG, Hyundai ou Samsung.

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-53 terminou com a assinatura de um armistício e não de um tratado de paz.