O antigo chefe do serviço de informações do Burundi, o general Godefroid Niyombare, anunciou esta quarta-feira a destituição do presidente Pierre Nkurunziza e a dissolução do governo.

No entanto, a presidência do Burundi utilizou o Twitter para assegurar que a tentativa de golpe de Estado falhou e que a situação está “controlada”.

 

 “A situação está sob controlo, não há golpe no Burundi”, pode ler-se na mensagem.

Foto de arquivo de Pierre Nkurunziza. Créditos: EPA

Antes, Godefroid Niyombare fez o anúncio do golpe de Estado na rádio Insaganiro, pretendendo formar um governo de transição até às eleições legislativas e municipais, marcadas para o próximo dia 26, seguidas das presidenciais, que vão realizar-se a 26 de junho.
 

"Devido à arrogância do presidente Nkurunziza e ao seu desafio à comunidade internacional, (…) o comité para o estabelecimento da concórdia nacional decidiu: o presidente Pierre Nkurunziza é destituído das suas funções e o governo está dissolvido."


Enquanto o general falava, Pierre Nkurinziza estava na Tanzânia, prestes a iniciar uma cimeira regional dedicada à crise que despertou no país após o seu anúncio de candidatura a um terceiro mandato. 

Após ouvirem as palavras de  Godefroid Niyombare na rádio, centenas de pessoas deslocaram-se para as ruas da capital Bujumbura. As agências internacionais citam testemunhas que ouviram disparos de tiros.

Segundo a Reuters, o presidente abandonou a cimeira e está a deslocar-se para o Burundi. O general Niyombare ordenou então o encerramento do aeroporto e das fronteiras terrestres.


Confrontos no Burundi nas últimas semanas. Foto: Reuters

Godefroid Niyombare foi demitido do cargo de chefe do serviço de informações pelo presidente, em fevereiro, quando se opôs à sua candidatura a um terceiro mandato. 

O Burundi tem assistido a várias manifestações nas últimas semanas, uma vez que os opositores de  Pierre Nkurinziza consideram inconstitucional que este se recandidate novamente.

Os protestos já causaram pelo menos 20 mortos e levaram dezenas de milhares de burundianos a fugirem do país.