O Papa Francisco levou consigo 12 refugiados no regresso a Itália após uma curta visita de “solidariedade” à ilha grega de Lesbos, que se transformou, no ano passado, na porta de entrada para a Europa de centenas de milhares de refugiados.

Em comunicado, o Vaticano afirma que "o papa quis ter um gesto de acolhimento para os refugiados", levando no avião para Roma "três famílias de refugiados da Síria, 12 pessoas no total, incluindo seis crianças”.

As famílias são de confissão muçulmana, duas oriundas de Damasco e outra de Deir Ezzor, cidade síria localizada nos territórios controlados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

“Os refugiados não são números, são pessoas que têm rostos, nomes, histórias e precisam ser tratados como tal”, lê-se no na publicação no Twitter oficial do Papa.

Uma autoridade local confirmou, à agência AFP, que as intenções do Papa Francisco não visam violar o acordo celebrado entre a União Europeia e a Turquia, firmado a 18 de março, que prevê o repatriamento de migrantes ilegais que cheguem à Grécia para a Turquia.

O papa deixou o aeroporto de Fiumicino, de Roma, às 07:00 (06:00 em Lisboa), tendo chegado a Mitilene, capital de Lesbos, pelas 10:20 (08:20 em Lisboa). À chegada foi recebido pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e uma delegação de líderes católicos e da Igreja Ortodoxa.

O papa Francisco fez-se acompanhar pelo patriarca de Constantinopla Bartolomeu e o arcebispo de Atenas e de toda a Grécia Jerónimo II, durante a visita. Esta viagem teve como objetivo expressar proximidade e solidariedade aos refugiados, aos cidadãos de Lesbos e a todo o povo grego.

Ainda durante este sábado, o Papa Francisco deverá visitar o campo de refugiados de Moria, que atualmente alberga quase três mil migrantes.

A delegação irá almoçar com representantes dos refugiados e fazer uma declaração conjunta à imprensa, antes de ir para a capital da ilha para uma realizar uma oração em memoria dos migrantes que têm perdido a vida enquanto tentam alcançar a costa europeia.