A destruição deixada pelas tempestades do mês de março está a levar a que dezenas de agricultores na Índia cometam suicídio, por não conseguirem dinheiro para pagar as dívidas contraídas durante a produção.

Esta altura do ano costuma ser uma época de «felicidade» para os agricultores, que com as receitas das colheitas conseguem pagar as suas dívidas, preparar as próximas plantações e, nalguns casos, conseguir algum lucro.

No entanto, o inverno rigoroso deste ano destruiu as plantações e as esperanças de muitos indianos, que agora se veem inundados em dívidas, sem capacidade de as poder pagar e alimentar as suas famílias. Tirar a própria vida parece ser a única solução.

A esperança de boas colheitas leva a que muitos agricultores se sujeitem a empréstimos com altas taxas de juro, o que os leva depois a considerar que não há outra solução.
 

«Normalmente, nesta altura do ano estamos muito contentes. Os nossos celeiros estão cheios e saldamos as nossas dívidas com as vendas da produção. Este ano perdemos tudo. Ficámos sem nada. Sem comida para nós, nem para os animais», disse Vinod Kumar, agricultor, à Associated Press.


Só no Estado de Uttar Pradesh 41 agricultores cometeram suicídio nas últimas duas semanas, de acordo com números do governo regional, que já declarou estado de emergência e prometeu retirar fundos do governo federal para compensar os lesados.

«Uttar Pradesh foi atingida por uma calamidade», disse Akhilesh Yadav, o ministro de Estado em comunicado.


Yadav diz que as fortes chuvas destruíram propriedades em 44 distritos, afetando 750 mil agricultores.

O secretário do Estado, Alok Ranjan, diz que o Governo já prometeu 5 mil milhões de rúpias (75 milhões de euros) para compensar todos os lesados, e que outros 10 mil milhões já foram pedidos.

Nos Estados de Punjab e Haryana a situação também é preocupante. Só no primeiro estima-se que mais de 340 mil hectares tenham sido afetados, e no segundo há já registo de três suicídios.

O primeiro-ministro Narenda Modi já pediu à ministra da Agricultura que recorra ao fundo de emergência reservado para as catástrofes naturais para ajudar os agricultores, que por sua vez já ordenou a monitorização dos preços dos produtos mais afetados, como batatas e cebolas, para evitar que disparem.