Uma operação antiterrorista na Bélgica contra grupos jihadistas que se preparavam para cometer atentados, provocou, esta quinta-feira, a morte de dois suspeitos e um ferido em Verviers (leste), referiu em conferência de imprensa em Bruxelas o porta-voz do procurador federal.

A ação policial ocorreu no centro da cidade e não foram registadas vítimas entre as forças policiais ou civis. Na operação «morreram dois supostos jihadistas e um terceiro ficou ferido», anunciou Eric Van der Sypt.

De acordo com o porta-voz, a ampla operação desencadeada em Verviers e que se estendeu a Bruxelas e Vilvoorde, «evitou atentados terroristas de grande envergadura que iam ser cometidos de imediato».


Durante a conferência de imprensa após a operação, o procurador belga Eric Van der Sypt revelou que os suspeitos atacaram as forças da autoridade com armas semi-automáticas durante dois minutos, mas nenhum agente foi ferido nesta troca de tiros. 

Já esta sexta-feira, a polícia belga informou que ocorreram 12 operações contra o terrorismo, que resultaram na detenção de 15 pessoas.

Terrorismo: operações continuam em Bruxelas

«Esta operação requereu muito esforço da polícia, que contou com a ajuda das forças especiais», disse, acrescentando que durante a investigação descobriram que os jovens se preparavam para fazer um atentado em solo belga. 

 
 
Jornalista da TVI, Pedro Moreira, conta a partir do local o que aconteceu

Durante as questões dos jornalistas, foi ainda explicado que «o objetivo dos terroristas era especialmente os agentes da polícia».

Armas e fardas de polícia em antiga padaria

De acordo com o Dernière Heure, na antiga padaria onde os suspeitos foram encontrados, as autoridades descobriram quatro kalachnikovs, produtos destinados à produção de bombas e fardas de polícias.

Bélgica: novo tiroteio na região de Liége

Segundo a RTBF, esta operação destinou-se a capturar radicais que se suspeita terem regressado à Bélgica depois de terem combatido na guerra civil síria. De acordo com uma testemunha local citada pela RTBF, a operação decorreu na rua da Colline, no alto da rua de Écoles e do Palais onde foram imobilizadas duas viaturas pela polícia. A rua do College foi ocupada por vários carros da polícia, da brigada de anti-explosivos e de veículos de emergência médica. Três ou quatro explosões foram ouvidas, assim como vários disparos.  No entanto, apesar do quarteirão ter sido interditado, os habitantes não foram evacuados.
 
À RTBF, o autarca de Verviers, Marc Elsen, afirmou que «não tinha conhecimento desta operação da Polícia Federal, o que é compreensível» e que «de uma maneira geral, a vigilância foi aumentada sem causar o pânico na população».

Vasta operação em Bruxelas

Uma vasta operação decorre em simultâneo em Bruxelas e visa um grupo de jihadistas que regressou recentemente da Síria e que estava sob vigilância das autoridades. 

O jornal «Le Soir» noticia que foi detido para interrogatório um homem armado que gritava frases religiosas em árabe e francês - entre as quais a expressão «Allahu Akbar» -  na estação do metro de Ribaucourt, em Bruxelas.

Também em Zaventem, onde se situa o aeroporto da cidade, Vilvorde e Molenbeek-Saint-Jean decorrem operações antiterroristas.
 

Jihadista anunciou chegada à Bélgica no Twitter

Lucas Van Hessche é um jovem originário de Courtrai, que combateu na Síria no outono passado. Esta quarta-feira, o rapaz de 19 anos publicou uma mensagem no seu Facebook que dava conta que tinha regressado à Bélgica, como avança o jornal Het Laatste Nieuws.

«É uma mensagem para a Bélgica e para todos os que combatem pelo Estado Islâmico. Não somos um pequeno exército como querem fazer crer. Somos um estado que está a ser aumentado e que vai chegar à Bélgica. Quer vocês gostem ou não», escreveu Van Hessche.

Esta não é a primeira vez que o jovem fala sobre o Estado Islâmico. Há poucos dias, o jihadista mostrou o seu apoio aos terroristas de Paris na mesma rede social. 

De acordo com o jornalista Julien Modave, da RTLInfo, tratam-se de «três jovens de Verviers que estavam na Síria. Partiram à várias semanas, meses, para se radicalizarem. Regressaram há apenas uma semana e têm estado sobre escuta».

«Medo deve mudar de lado»

O primeiro-ministro belga defendeu que o medo deve passar para o campo dos terroristas, após uma reunião de emergência na sequência da operação policial que provocou a morte de dois jihadistas suspeitos de planearem «atentados de grande envergadura».

«O medo deve mudar de lado», afirmou Charles Michel no final da reunião com os serviços de emergência e os ministros de Interior, Jan Jambon, e da Justiça, Koen Geens.

«Isto demonstra a determinação do governo belga em combater todos aqueles que pretendem semear o terror. O medo deve mudar de lado», declarou o primeiro-ministro, citado pelo seu porta-voz, numa altura em que está em marcha uma operação antiterrorista na Bélgica.