O ex-líder da seita de Macau «14 K» (quilates) Wan Kuok Koi - mais conhecido por «Dente Partido» - afirmou ter dado cerca de 100 milhões de patacas (9,5 milhões de euros) a governantes portugueses, em entrevista à revista Next.

«Se não acreditam em mim podem perguntar aos próprios portugueses. Dei-lhes muito porque com a transferência de Macau para a China pensei que eles iam ficar sem dinheiro. A verdade é que foram eles que sempre me pediram. Naquela época não era difícil para mim, devo ter dado cerca de cem milhões», disse Wan Kuok Koi em entrevista à Next, revista em língua chinesa de Hong Kong, cujos excertos são publicados na edição de hoje do jornal Hoje Macau.

Naquela que é primeira entrevista desde que foi libertado a 01 de dezembro, depois de mais de 14 anos de prisão, «Dente Partido» não cita, no entanto, nomes em concreto. «Wan Kuok Koi acha que tudo o que de mal lhe aconteceu foi por causa de intrigas das autoridades portuguesas e que o Governo chinês foi ¿ingénuo' porque apenas seguiu a sugestão dos portugueses», escreve o Hoje Macau, citando um ¿desabafo' do ex-líder da seita 14 K: «Queria tanto a reunificação, sabia lá que esta me ia levar para a prisão».

Segundo o jornal, Wan Kuok Koi defende ainda, em declarações à Next, ter sido «injustiçado». «Não sabia nada do que aconteceu! Fui acusado de pertencer a uma tríade, mas naquela altura havia tantas pessoas iguais a mim e mais ninguém foi acusado (¿). Fui acusado de agiotagem, mas não conseguiam dizer a quem nem quanto é que eu emprestei. Fui acusado de ser chefe de uma associação criminosa e de ter lavado dinheiro mas era mentira. Enfim, não tinham testemunhas nem provas», sustentou Wan Kuok Koi.

O «Hoje Macau» reproduz também declarações daquele que foi um dos mais mediáticos líderes de seitas em Macau no final da década de 1990, com cidadania portuguesa, preso em maio de 1998 - sobre a sua vida na prisão, a qual não lhe foi «intolerável», não obstante as longas noites: «Tinha pesadelos todas as noites, neles fui morto já mil vezes».

«Dente Partido» afirmou também já não pensar em vingança: «Não é que não seja capaz, sou, sem dúvida, muito competente e tenho muita ousadia. É que se eu me vingasse, muitos iam sofrer, não quero que a minha família sofra, não quero que a sociedade sofra, por isso, decidi perdoar todos e, desde que tomei esta decisão, durmo sempre muito bem».