Combates intensos irromperam esta quinta-feira no Burundi entre forças rivais, junto à emissora pública, de acordo com fontes do exército e testemunhas no local, um dia após um general iniciar um golpe de Estado contra o presidente Pierre Nkurunziza.

Testemunhas no local relatam que fações rivais das forças armadas, divididas entre apoiantes do golpe de Estado e do presidente, estão a trocar fogo junto ao complexo da rádio e televisão públicas, ocupado pelos apoiantes de Pierre Nkurunziza.

O presidente, que se encontra em Dar es Salaam, na Tanzânia, segundo fontes oficiais locais, apelou, através das redes sociais, à serenidade da população, garantindo que a situação está sob controlo e a ordem salvaguardada. Pierre Nkurunziza garantiu, através de comunicado, que não existe qualquer golpe de Estado no país e que tal não passa de uma intenção sem sucesso de um grupo de militares.
Também o chefe das forças armadas anunciou que a tentativa de golpe de Estado falhou, uma afirmação que foi imediatamente negada pela oposição.

"A tentativa de golpe do general Godefroid Niyombare foi travada", afirmou Prime Niyongabo, num anúncio transmitido pela rádio.

O chefe das forças armadas disse ainda que a presidência e o palácio presidencial estavam sob controlo dos apoiantes do presidente.

Ontem, o general Godefroid Niyombare, antigo chefe dos serviços de informação, anunciou que o presidente tinha sido deposto, horas depois de este ter partido para uma cimeira na Tanzânia.

Ao que tudo indica, Nkurunziza não conseguiu regressar ao Burundi por o aeroporto se encontrar encerrado, acompanhando a situação no país de Dar es Salaam.

O Burundi tem assistido a várias manifestações nas últimas semanas, uma vez que os opositores de Pierre Nkurinziza consideram inconstitucional que este se recandidate novamente.

Os protestos já causaram pelo menos 20 mortos e levaram dezenas de milhares de burundianos a fugirem do país.