Jacob Zuma demitiu-se da presidência da África do Sul com "efeitos imediatos". O anúncio foi feito pelo próprio em conferência de imprensa.

Falando aos jornalistas, o agora presidente demissionário afirmou que não tinha "medo de deixar o cargo político" e que não temia a moção de censura do ANC. 

"Decidi demitir-me do cargo de Presidente da República com efeitos imediatos, apesar de discordar da direção do meu partido. Nenhum líder deve permanecer mais tempo do que o determinado pelas pessoas que serve. Tenho de aceitar os desejos do meu partido de me ver sair do cargo. Eles devem exercer o seu direito da forma que está na Constituição", afirmou Jacob Zuma.

Esta terça-feira, o presidente da África do Sul tinha considerado “injusta” a decisão do Congresso Nacional Africano ANC de exigir a sua demissão, referindo que não foram apresentadas “razões claras” para que ele se demita do cargo.

Caso Jacob Zuma não se demitisse, estava já marcada para a tarde de quinta-feira a apresentação, no parlamento, de uma moção de censura pelo ANC.

Jacob Zuma foi vice-presidente da África do Sul entre 1999 e 2005 e chefe de Estado desde 2009. O poder do presidente sul-africano tinha vindo a diminuir desde que o seu vice-presidente, Cyril Ramaphosa, lhe sucedeu, em dezembro, à frente do ANC, ficando bem posicionado para se tornar chefe de Estado na África do Sul nas eleições do próximo ano, podendo, desta forma, desviar as atenções dos casos de corrupção e centrar tudo na sucessão.

Ramaphosa, aliás, fez do combate à corrupção governamental uma das prioridades durante a pré-campanha e a campanha para a liderança do ANC.

Em causa está sobretudo determinar a extensão de eventuais crimes cometidos pelos três irmãos Gupta, a poderosa família de origem indiana que domina os negócios na África do Sul e que está também a ser investigada pelos serviços secretos do FBI.

Além das acusações de que Zuma esteja a favorecer as atividades empresariais dos irmãos, o FBI está a investigar sobretudo fluxos de caixas suspeitos, enviados pelos Gupta diretamente da África do Sul para o Dubai e para os Estados Unidos.

A oposição sul-africana considera que Ajay, Atulk e Rajesh Gupta asseguraram junto de Zuma importantes posições na administração sul-africana, pagando somas avultadas em dinheiro e permitindo ganhar concursos públicos no valor de centenas de milhões de dólares.

Desde 2016 que quer Zuma quer a família Gupta negam quaisquer ilegalidades, afirmando-se, ambos, vítimas de uma “caça às bruxas”.