Nordahl Lelandais, o homem de 34 anos, em prisão preventiva suspeito de ter raptado e assassinado a lusodesendente Maëlys de Araújo, em agosto de 2017, numa festa de casamento em França, conduziu, esta quarta-feira à tarde, os investigadores da polícia ao local onde poderá estar o corpo da menina, de nove anos.

De acordo com o jornal Le Monde, o ex-militar está "a cooperar" com as autoridades e terá conduzido a polícia pela primeira vez até um novo local de buscas, em Pont-de-Beauvoisin, no departamento de Isère, onde a criança foi vista pela última vez.

De acordo com a imprensa local, foram vistas equipas de investigação e busca, com mergulhadores e cães, que poderão estar no encalço de novas pistas. 

O Le Monde adianta que 20 especialistas forenses da polícia também estão no local, bem como o laboratório móvel do Instituto de Investigação Criminal da Gendarmerie Nacional (IRCGN) para uma possível identificação do corpo.

O suspeito do desaparecimento de Maëlys, que está detido desde setembro, foi ouvido, esta quarta-feira de manhã, a seu pedido e pela segunda vez, pelos juízes de instrução no Tribunal de Grenoble. Segundo apurou a TVI, Lelandais terá confessado que assassinou a menor e disse às autoridades que as levava ao local onde terá abandonado o corpo.

O jornal francês Le Dauphiné também refere que o indivíduo confessou os factos, levou os inspetores para um descampado, situado perto da sua residência, a poucos quilómetros do salão de festas, onde a menor foi vista pela última vez. No local, estão elementos da polícia científica guiados pelo arguidos.

Forte contingente policial

A operação das forças de segurança começou após o suspeito se ter reunido com os magistrados responsáveis pelo processo de Maëlys. Um forte contingente policial, escoltando Lelandais, partiu de Grenoble até chegar a Pont-de-Beauvoisin cerca das 11:00 locais (10:00 em Portugal). 

Uma hora depois, reforçado com equipas especializadas em buscas de montanha, equipas cinotécnicas especializadas em encontrar restos humanos, e mergulhadores, o contingente parou cerca de meia-hora em Domessin, num campo perto da casa da família do suspeito, onde os técnicos forenses fizeram diversos levantamentos. A zona ficou isolada pela polícia.

Os agentes, sempre acompanhados de Nordahl, dirigiram-se em seguida a uma zona mais montanhosa e erma, em Saint-Franc, um pouco a norte de Domessin e de Pont-de-Beauvoisin.

A área, onde incidiram várias buscas na altura do desaparecimento, está igualmente isolada pela polícia.

Um lago, vistoriado poucas horas depois dos pais de Maëlys terem alertado as autoridades para o desaparecimento da filha, está também a centrar as atenções. 

O procurador de Grenoble, Jean-Yves Coquillat, que também acompanha as buscas, já definiu as diligências desta quarta-feira como cruciais e anunciou uma conferência de imprensa às 18:00 locais (17:00 em Portugal) no edifício da Câmara de Pont-de-Beauvoisin.

Micro-gota de sangue acelera investigação

A BFMTV adianta entretanto que os vestígios de sangue, encontrados na bagageira do carro de Nordahl Lelandais há cerca de dez dias, são mesmo de Maëlys.

O veículo, que foi limpo pelo suspeito após o casamento, já tinha sido "passado a pente fino" pelas autoridades no início da investigação. Num segundo momento, os investigadores decidiram desmontar por completo o veículo para recolherem novas amostras e acabaram por encontrar uma gota de sangue miscroscópica, que pertence à criança desaparecida.

De acordo com o jornal Le Figaro, o facto de terem sido encontrados no carro restos de sangue correspondentes ao ADN de Maëlys poderá estar na origem de uma reviravolta na atitude de Nordahl Lelandais.

Maëlys de Araújo desapareceu na noite de 26 para 27 de agosto de 2017, numa festa de casamento, em Pont-de-Beauvoisin, e até hoje o suspeito afastava categoricamente qualquer envolvimento no desaparecimento, embora todos os indícios apontassem para a sua culpabilidade.