O Governo português anunciou esta quinta-feira que “lamenta profundamente” o agravamento da situação de crise institucional na Guiné-Bissau que resultou na demissão do Governo e apelou para o fim das divergências “através do diálogo”.

Após recordar os insistentes apelos de diversos responsáveis guineenses e da comunidade internacional para a “preservação da estabilidade institucional e da salvaguarda da governabilidade do país”, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) sublinha, em comunicado, a necessidade de que “sejam rapidamente ultrapassadas as divergências existentes através do diálogo, de forma construtiva e no respeito pela Constituição”.

“Só dessa forma se evitará pôr em causa os progressos alcançados com o regresso à normalidade democrática, na sequência dos atos eleitorais de abril de 2014, e eventualmente o próprio apoio da comunidade internacional”, indica o MNE.


O Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, demitiu esta quinta-feira o Governo liderado por Domingos Simões Pereira, segundo um decreto presidencial lido às 23:10 de quarta-feira (00:10 em Lisboa) na Rádio Difusão Nacional.

Entretanto, também o ministro português da Presidência também reagiu à demissão do governo guineense, advertindo que poderá colocar em causa todos os avanços feitos nos últimos meses, "em termos de regularização da situação naquele país".

"Neste momento o que se passa na Guiné-Bissau é uma crise política grave que, naturalmente Portugal acompanha com enorme preocupação"


Luís Marques Guedes sublinhou, durante a conferência de imprensa realizada no final da reunião do Conselho de Ministros, que a solidariedade de Portugal para com o povo guineense "é total". 

"Os avanços grandes que tinham sido feitos, não só por Portugal, mas pelo conjunto da comunidade internacional para apoiar o novo regime constitucional da Guiné-Bissau há poucos meses, não há muitos meses, pode estar em causa se a crise política que foi criada se adensar, se aprofundar e não for rapidamente normalizada, não for retomada rapidamente a normalidade constitucional do funcionamento daquele país", vincou.

Por isso, acrescentou, "é grande a preocupação" de Portugal, pois "as dificuldades tremendas porque passou e tem passado o povo da Guiné-Bissau" não podem ser postas em causa "por uma crise no plano político que depois se reflete muito negativamente sobre o povo guineense".