Kim West, de 51 anos, está apaixonada por Ben Ford, de 32, e quer ter um filho dele. O desejo do casal não acarreta apenas um problema de fertilidade da mulher. É que Kim e Ben são também mãe e filho. Os dois assumiram a relação e o desejo de serem pais publicamente.

O caso está a gerar controvérsia, no entanto, Kim e Ben rejeitam ter uma relação incestuosa. Intitulam-se, antes, como protagonistas de um caso de atração sexual genética.

O que distingue incesto de atração sexual genética

O incesto caracteriza-se pela união sexual ilícita entre parentes consanguíneos, ou seja, pais com filhos, irmãos com irmãos. A atração sexual genética (ASG) também ocorre entre parentes próximos, como pais e filhos, irmãos, ou primos em primeiro grau. Todavia, a ASG ocorre quando estas pessoas se conhecem já na idade adulta.

Segundo o Centro de Pós-Adoção da Universidade de Londres, em conversa com o Telegraph, esta atração pode ocorrer em 50% dos casos de familiares que se conhecem já adultos. Embora haja pouca investigação sobre este assunto, a explicação parece estar na idade em que as pessoas começam a conviver. Assim, a infância cria um efeito de desinteresse sexual. Esse bloqueador ocorre principalmente nos casos em que o convívio decorre desde o nascimento e até aos seis anos.

Ora, Kim West deu o filho para adoção com uma semana de vida e só voltou a vê-lo já depois de adulto e casado. É por isso que o casal reclama ser um caso de ASG e não de incesto. Aliás, receberam apoio de um outro casal que vive na mesma situação. Há também grupos de apoio, que trabalham de forma anónima.

A relação de Kim West e do filho já dura há dois anos e levou ao divórcio de Ben Ford. Com 30 anos, Ben Ford, a viver nos Estados Unidos, enviou uma carta à mãe biológica, natural do Reino Unido. Falaram algumas vezes por telefone antes de se conhecerem. Quando se encontraram, Kim revelou ao New Day que sentiu “que se conheciam há anos”.

A designer de interiores ficou, ao início, preocupada por ter sonhos eróticos com o filho. Até ler sobre ASG.

Isto não é incesto, é ASG. Somos unha com carne e fomos feitos para ficar juntos.”

Kim West reconhece a discriminação de que é alvo.

Sei que as pessoas nos consideram nojentos, que devíamos controlar os nossos sentimentos, mas quando se tem um amor tão forte, estamos dispostos a largar tudo por esse amor e lutar por ele.” 

O casal mudou-se para o Michigan, nos Estados Unidos, após o divórcio de Ben.

Ben Ford levou 30 anos para conhecer a mãe biológica. O Telegraph aborda ainda o problema à luz da realidade britânica. A autoridade britânica responsável pela compilação e regulação da fertilização com recurso a embriões fertilizados in-vitro, dá conta de um aumento de dadores. A lei permite que qualquer adolescente fruto de uma gravidez bem sucedida através da aplicação deste tratamento, em abril de 2005 ou após, conheça a identidade do dador do esperma, o que pode fazer da questão da ASG um assunto muito pertinente na próxima década.