As famílias dos três estudantes muçulmanos mortos a tiro por um vizinho nos Estados Unidos despediram-se na quinta-feira dos jovens, em funerais que atraíram milhares de pessoas.

Mais de 5.000 pessoas juntaram-se para as cerimónias fúnebres de Deah Shaddy Barakat, de 23 anos, da sua mulher Yusor Mohammad Abu-Salha, de 21 anos, e da irmã dela Razan Mohammad Abu-Salha, de 19 anos, que as autoridades dizem terem sido mortos por um vizinho na cidade universitária de Chapel Hill.

O alegado autor do crime, Craig Stephen Hicks, de 46 anos, era conhecido pela sua oposição às religiões, com a sua página de Facebook a mostrar dezenas de publicações de contudo antirreligioso.

A polícia apontou para uma disputa por um lugar de estacionamento como o motivador do crime, mas as famílias das vítimas acreditam que se tratou de um crime de ódio.

O FBI anunciou o início de uma investigação paralela para apurar se se tratou de um crime de ódio, o que resultaria numa pena mais pesada.

«Estamos certos que as nossas filhas foram alvo deste crime devido à sua religião», afirmou à AFP o pai das duas irmãs, Mohammad Abu-Salha.

«Não se trata de nenhuma disputa por estacionamento, estas crianças foram executadas com tiros na nuca. Tudo aponta para um crime de ódio e não me vou conformar», disse.

Mohammad Abu-Salha contou que a sua filha Yusor se tinha queixado que Hicks a importunava e que apareceu à porta de sua casa para se queixar de um lugar de estacionamento com uma arma à cintura.

Os vizinhos descreveram Hicks como problemático, criando frequentemente conflitos a propósito do estacionamento e sendo visto em público com uma arma.