O escritor peruano Mario Vargas Llosa afirmou na segunda-feira que o seu nome aparece referenciado nos “Papéis do Panamá” devido a um “pequeno mal-entendido”, já que “nunca” deteve qualquer empresa num paraíso fiscal.

O meu nome apareceu numa empresa que nunca existiu, numa empresa que chamam de dormente”, afirmou Vargas Llosa, aos jornalistas, após uma homenagem pela sua carreira literária na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington.

“Os advogados que tomam conta dos meus direitos de autor provavelmente reservaram [a empresa] por cinco semanas e houve uma contraordem e essa suposta empresa que nunca existiu desapareceu”, explicou o escritor que foi acionista durante um mês de uma sociedade sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, segundo os dados revelados no âmbito dos “Papéis do Panamá”.

Os Papéis do Panamá são o resultado da maior investigação jornalística da história, divulgada na noite de domingo, envolvendo o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington, e do qual a TVI faz parte.

Na investigação são destacados os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais. Entre os portugueses, figuram 240 nomes.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas offshore em mais de 200 países e territórios.

A partir dos Papéis do Panamá (Panama Papers, em inglês) como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.