Londres vai suspender a liberdade de circulação de cidadãos europeus após o ‘Brexit’ e introduzir restrições à entrada de todos os trabalhadores da UE que não sejam altamente qualificados, segundo um documento publicado, esta quarta-feira, pelo The Guardian.

O projeto revela planos para tornar muito mais difícil aos trabalhadores europeus pouco qualificados estabelecer-se no Reino Unido, consagra a prioridade aos trabalhadores britânicos nas contratações e propõe que a imigração deve ser avaliada do ponto de vista não do benefício para os imigrantes, mas em que medida melhora a situação dos residentes no país.

De forma muito direta, isto significa que a imigração tem que ser um lucro para o país todo, beneficiando quem chega, mas também melhorando o nível de vida das pessoas que já são residentes”, lê-se no documento.

Uma das propostas apresentadas no documento prevê que seja oferecida residência aos imigrantes sem qualificações específicas apenas por um máximo de dois anos. Aqueles que provem ter mais qualificações podem ficar no país por mais tempo: entre três e cinco anos. A lista das profissões ou competências que terão prioridade ainda não é conhecida.

De acordo com o documento, cada europeu terá que mostrar o passaporte para entrar no Reino Unido. Além disso, está prevista uma “residência temporária”, permitindo aos europeus ficar alguns meses, de acordo com o The Guardian.

As novas medidas colocam também duras restrições aos imigrantes que queiram levar familiares para o país, o que, potencialmente, pode fazer com que milhares de famílias sejam dividas. Por exemplo, se um cidadão europeu quiser levar o marido ou a mulher para o Reino Unido deverá ter que ganhar um mínimo de 18.600 libras por ano, ou seja, cerca de 20.600 euros.

É, para nós, claro que as empresas do Reino Unido, sempre que possível, devem olhar para os trabalhadores residentes para colmatar as suas necessidades de mão-de-obra. É mais importante que nunca reter internamente as competências necessárias à construção de uma economia forte e competitiva”, resume o documento.

O documento de 82 páginas do Ministério do Interior, marcado como “sensível” e datado de agosto de 2017, não está finalizado e não foi aprovado pelo Conselho de Ministros. Se vier a ser adotado, tem ainda de ser discutido no parlamento e nas negociações com a UE, o que pode implicar alterações.