Tentando que o prazo para apresentar o novo candidato - que terminava esta esta terça-feira - fosse dilatado, a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) acabou por decidir substituir a candidatura de Lula da Silva pela de Fernando Haddad, antigo presidente da câmara de S. Paulo, a mais populosa cidade brasileira.

De acordo com a imprensa brasileira, nomeadamente o jornal Folha de S. Paulo, e com a agência de notícias britânica Reuters, que cita fonte da direção do PT, terá sido o próprio Lula da Silva, através de uma carta enviada da prisão, a dar "luz verde" para que Haddad seja formalmente o seu substituto às presidenciais do próximo mês.

Segundo a Folha de S. Paulo, na carta enviada, Lula da Silva terá voltado a denunciar tratar-se de uma injustiça ser impedido de se recandidatar, mas defendeu que Haddad seria a melhor garantia de continuidade do projeto político do PT.

Na prisão, em Curitiba, capital do estado do Paraná, Lula da Silva cumpre pena de 9 anos e seis meses de prisão, condenado por corrupção, devido a ter recebido um apartamento em Guarujá, São Paulo.

Na passada semana, o ex-presidente que liderava as sondagens, viu a sua recandidatura chumbada pelo Supremo Tribunal Eleitoral. Lula recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça, mas a decisão tarda. E a candidatura tinha até esta terça-feira para apresentar um substituto a Lula da Silva.

A confirmação pública da candidatura de Hadad, segundo a imprensa brasileira, será formalizada às 15:00 - 19:00 em Lisboa - em Curitiba, frente à sede da Polícia Federal, onde Lula da Silva está preso.

Fernando Haddad será assim o candidato substituto de Lula da Silva, indicado pelo PT, e que, antes mesmo da sua candidatura ser confirmada, já disputava nas sondagens uma posição nas preferências dos eleitores, capaz de o levar a uma provável segunda volta.

A sondagem da empresa Datafolha, divulgada segunda-feira, mostrou que, antes mesmo de ser oficializado como candidato do PT à presidência brasileira, Fernando Haddad disputava com Ciro Gomes, Marina Silva e Geraldo Alckmin, o segundo lugar das intenções de voto.

Quem ficar em segundo no sufrágio de 7 de outubro, deverá ser, numa provável segunda volta, o oponente a Jair Bolsonaro, candidato da direita, hospitalizado após ter sido esfaqueado.

Entre os prováveis opositores de Bolsonaro, a sondagem dava 13% a Ciro Gomes, 11% a Marina Silva e 10% a Alckmin. Haddad, que ainda não era candidato, registava 9%.