O escândalo designado Luxleaks, relativo a um sistema massivo de otimização fiscal no Luxemburgo, conheceu novos desenvolvimentos esta terça-feira à noite, com vários meios a identificarem empresas como Skype, Walt Disney e Invista.

Estas novidades representam mais um golpe no presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que dirigia o Governo luxemburguês na época dos acontecimentos em causa.

As revelações feitas esta terça-feira ocorrem na véspera da tomada de pose oficial da Comissão Juncker, no Tribunal de Justiça da União Europeia, situado precisamente no Grão-Ducado.

Apoiando-se em cerca de 28 mil páginas de documentos obtidos pelo Consórcio Internacional dos Jornalistas de Investigação (CIJI), cerca de quatro dezenas de jornais revelaram no início de novembro que, entre 2002 e 2010, quando Juncker era primeiro-ministro do Luxemburgo, o Grão-Ducado fez acordos fiscais com cerca de 340 multinacionais, entre as quais Apple, Amazon, Ikea, Pepsi, Heinz, Verizon e AIG, para lhes reduzir o pagamento de impostos, o que privou os Estados europeus de receitas fiscais no montante de milhares de milhões de euros.

O jornal belga Le Soir revelou esta terça-feira que a nova vaga de documentos, a LuxLeaks 2, implica mais 35 empresas, entre as quais Skype, Walt Disney, Koch Industries, Bombardier ou a Telecom Italia, com acordos realizados entre 2003 e 2011.

A publicação adiantou que os acordos foram preparados pelas quatro grandes empresas de auditoria e consultoria, a saber, PricewaterhouseCoopers (PwC), KPMG, Ernst & Young e Deloitte.

Entre as vantagens alcançadas estão, por exemplo, deduções fiscais espetaculares, com a Skype a pagar impostos apenas sobre 5% dos lucros, ou taxas de imposto extremamente baixa, como a de 0,28% paga pela Walt Disney Luxemburgo.