A ex-ministra francesa da Cultura Audrey Azoulay foi esta sexta-feira confirmada como a nova diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCOdurante a 39ª conferência geral da organização.

Azoulay, que vai substituir no cargo a búlgara Irina Bokova, fora eleita a 13 de outubro pelo Conselho Executivo da organização, ao derrotar na votação final o qatari Hamad bin Abdulaziz.

A nova diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, defendeu esta sexta-feira uma resposta coletiva aos vários desafios que se colocam às sociedades mundiais.

Numa primeira conferência de imprensa após a confirmação da antiga ministra francesa da Cultura à frente da UNESCO, Azoulay só aceitou três questões, duas delas sobre o modo como pretende voltar a chamar à organização países como os Estados Unidos da América ou Israel, que anunciaram no mês passado irem abandonar aquela estrutura.

Penso que as dificuldades que a UNESCO enfrenta hoje são políticas e financeiras, mas não estratégicas. O mandato da UNESCO continua a ser pertinente. Penso que afastar-se dos temas de fundo que são a Educação, a Ciência, a Cultura, a defesa da Liberdade, seria uma perda para os Estados e para a organização”, declarou Azoulay.

A antiga ministra francesa elencou como maiores desafios mundiais "o aumento do obscurantismo, a ameaça de conflito, o extremismo violento, a destruição do ambiente, os desafios climáticos, a rejeição da diversidade que é uma rejeição do Outro, e as tentações populistas".

A nova dirigente da UNESCO realçou a importância de manter a porta aberta a todos e de continuar a trabalhar com elementos da sociedade civil, mesmo em países relutantes em participar.

“A prioridade da agenda é mais vasta do que isso”, disse Azoulay, concretizando que a história mostrou que "abandonar a mesa da discussão" não pode ser encarado como uma catástrofe.

A diretora-geral disse que “não se pode pedir à UNESCO que resolva todos os conflitos, não se pode pedir que seja completamente apolítica, mas o que se pode pedir a cada um dos Estados-membros é que aja com responsabilidade, e o que se pode pedir à UNESCO é que aja sobre o seu mandato, que não é o das Nações Unidas em Nova Iorque”, mas sim um mandato específico que pode criar espaços de diálogo.

É uma agenda muito exigente, precisamos de ter objetivos claros. A organização precisa de renovar constantemente o seu pacto de confiança com o mundo, com os estados membros e tem de se manter na vanguarda dos desafios ao estar aberta a todos”, afirmou Audrey Azoulay, na declaração inicial, quando passou do francês para o inglês.

Audrey Azoulay, a segunda mulher a liderar a UNESCO, recolheu esta sexta-feira, na votação que confirmou formalmente a sua eleição, 131 votos a favor e 19 contra, entre 184 votantes. A maioria necessária era 76.